Entre os jornalistas latino-americanos, os brasileiros são os mais otimistas com relação ao futuro da profissão. É o que mostra a pesquisa realizada pela agência LatAm Intersect PR. Conforme o estudo, cerca de um quarto (22,5%) se diz ‘muito otimista’, em comparação com apenas 5,9% dos jornalistas chilenos, os menos otimistas. O levantamento foi atualizado pela empresa um ano após a realização do primeiro. Com o intuito de mostrar o impacto da pandemia nas redações, o estudo demonstra resiliência e adaptabilidade em quase todos os aspectos das vidas dos profissionais e ressalta aspectos para o futuro pós-pandêmico.
Entre os destaques do documento está o aumento da confiança dos comunicadores na nova maneira de atuação da imprensa. Um ano após a pandemia, 41% dos entrevistados acreditam que a mídia se adaptou com sucesso aos novos modelos de negócios e 18,4% creem que mudaram para melhor. Na primeira edição da pesquisa, o índice de crença na sustentabilidade era de 37%.
Conforme a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, “apesar de todas as dificuldades, os jornalistas brasileiros continuaram cumprindo o importante papel de levar informações de interesse público para suas audiências. Isso já é essencial em tempos normais, e torna-se ainda mais relevante em tempos de crise como o que vivemos.”
Ainda, a continuidade da pandemia trouxe um novo sentimento coletivo. Apesar de os brasileiros serem os mais otimistas, na América Latina, essa perspectiva positiva caiu. Agora são 65,9% dos profissionais de mídia afirmando que estão ‘otimistas’ ou ‘muito otimistas’ sobre a profissão, em comparação com 72% em junho de 2020. Para a gestora, essa cautela se deve ao fato de que tem havido uma reavaliação da categoria, com cada vez mais pessoas em busca de informações confiáveis, “mas precisamos discutir coletivamente a sustentabilidade do jornalismo, como ter recursos financeiros para a produção de mídia e, como não há jornalismo sem jornalistas, devemos buscar melhores salários para os profissionais do setor”.
Outra mudança perceptível foi com o uso das redes sociais. Uma constatação do ano passado foi que 71% dos jornalistas latino-americanos aumentaram a presença nas redes sociais, com quase metade (48%) utilizando as redes pessoais para postar e promover o trabalho. Para 82,8% a tendência continuou a aumentar ao longo do ano, 12% disseram que permaneceu a mesma e apenas 5,2% responderam que diminuiu. No entanto, o percentual de comunicadores que utilizam os próprios recursos de mídia social para publicar e promover o lado profissional diminuiu de 48% em junho de 2020 para 42,4%.
O uso da mídia social, porém, segue crescendo: 75% dos entrevistados a usam ‘com mais frequência’ ou ‘com muito mais frequência’ e quase um terço (32,6%) concorda que é a principal fonte de contato com porta-vozes e empresas.
Vacinas
Mais de dois terços dos profissionais estão totalmente vacinados e se sentem confiantes sobre a saúde no trabalho (67,5%). Pouco menos de um terço (30,6%) estão totalmente vacinados e ainda estão preocupados em adoecer. Menos de 2% dos entrevistados não foram vacinados. Nesse sentido, os jornalistas foram essenciais para estimular os governos a lançar campanhas públicas de vacinação.
“Os jornalistas brasileiros têm contribuído significativamente para que a crise de saúde não seja ainda mais grave. Com seu trabalho, eles informaram a sociedade e orientaram a população, divulgando informações científicas e as medidas sanitárias necessárias para o combate à pandemia”, comenta a presidente da Fenaj.
Dados de realização
Entre 10 e 15 de julho de 2020, o núcleo de pesquisa da agência de Comunicações e Relações Públicas LatAm Intersect PR realizou a pesquisa ‘O Impacto da Pandemia nas Redações da América Latina’. O questionário foi enviado por e-mail para 293 jornalistas ativos nos países Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Peru.
Com o intuito de comparar e rastrear as mudanças vistas em 2020, a agência realizou outro levantamento de 4 de outubro e 22 de novembro de 2021. Na segunda edição, 303 jornalistas ativos dos mesmos países responderam às questões.

