Desde a última semana, uma coluna de opinião publicada na Folha de São Paulo levanta discussões nas mídias digitais. Isso porque o texto de autoria do poeta, romancista e antropólogo Antonio Risério afirma que “racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo.” Nesta quarta-feira, 19, cerca de 180 jornalistas da Folha assinaram uma carta contra o conteúdo: “Acreditamos que buscar audiência às expensas da população negra seja incompatível com estar a serviço da democracia”, diz parte documento.
Conforme registra a carta, a Folha não costuma publicar conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura, terraplanistas e representantes do movimento antivacina. “Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil”, registram os jornalistas endereçado aos membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial do diário.
“Convidamos a uma reflexão e uma reavaliação sobre a forma como o racismo tem sido abordado na Folha. Acreditamos que buscar audiência às expensas da população negra seja incompatível com estar a com estar a serviço da democracia”, seguem os jornalistas. Em um dos argumentos do artigo, Risério Risério diz que, sob a capa do discurso antirracista, esquerda e movimento negro reproduzem projeto supremacista, tornando o neorracismo identitário mais norma que exceção. “Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato”, afirmou.
O texto também ganhou repercussão nacional após a publicação. Em entrevista ao programa ‘Saia Justa’, do canal por assinatura GNT, o professor Sílvio Almeida enfatizou que o “racismo reverso chega a ser ridículo”. Ele argumenta que usar o termo dá a impressão de que existe um lado certo do racismo. “Ou seja, é certo quando é um branco contra um negro. Se é o negro contra o branco, é reverso. Então já começa o absurdo por aí”, disse.


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