Durante o Fórum Nacional dos Juizados do Torcedor e de Grandes Eventos (Fonajut), evento que acontece no Palácio da Justiça até esta sexta-feira, 18, jornalistas debateram a violência nos estádios de futebol. No painel, realizado ontem, 15, Luiz Carlos Reche, da Rádio Grenal; José Aldo Pinheiro, da Rádio Guaíba; Cesar Cidade Dias, da Rádio Band/RS; Lauro Quadros, jornalista; e Débora de Oliveira, do SBT RS, abordaram o tema ‘Mídia desportiva na prevenção da violência nos estádios e nos grandes eventos’.
Na ocasião, Lauro Quadros abriu a palestra comentando que o futebol não é culpado pela violência. Segundo ele, o esporte não pode ser diabolizado: “Uma prova disso são as torcidas mistas. Isso é uma coisa maravilhosa”. Na sequência, Reche afirmou que uma pesquisa recente revelou que 68% das pessoas não vão ao estádio por medo da violência. “Em 1985, transmitíamos festas das torcidas organizadas. Hoje, não dá nem para chegar perto. O que fizeram no Grenal dos aspirantes foi violência por violência. Eles não vão mais para torcer”. E lembrou ainda que todo dia de jogo decisivo faz questão de abrir o dia sempre fazendo um pedido de paz nos estádios.
Terceiro a falar, Zé Aldo afirmou que “o campo de futebol é uma grande metáfora e síntese da nossa sociedade”, e que “o mesmo tem contribuído para o aperfeiçoamento de hábitos”. Após, Cesar Cidade Dias comentou que “chegou a hora da mídia entender que, se prestarmos atenção, ainda hoje existem veículos que preferem o enfrentamento entre gremista e colorado”. Para ele, o que um comunicador diz pode ser usado contra ele na rua. “Nós precisamos prevenir. Esse caminho da grenalização tem que terminar”, apontou.
Única mulher do painel, Débora, que estava de aniversário, recordou uma matéria que fez na qual conversava com torcedores perguntando por momentos inesquecíveis de jogos, depois, questionava quando era o aniversário de parentes próximos, e eles pensavam. “Então, o torcedor sabia tudo do time dele e, quando envolvia questões de vida pessoal, não tinham certeza.” Sobre a sua visão do mundo esportivo, falou que, atualmente, considera-se uma estudiosa do lado humano do esporte, pois tem feito diversas pós-graduações nesta área. “Com isso, entendi que, quando eu mudo, o mundo muda de alguma maneira. Por isso, busco trazer essa humanização para o programa que apresento”, finalizou.

