A pandemia no novo coronavírus exigiu novas maneiras de relacionamento entre empresas, porta-vozes, agências de relações públicas e as redações. Por conta do cenário, a agência de Relações Públicas LatAm Intersect PR, que atua em toda a região, produziu uma pesquisa que apontou a resiliência como principal característica dos profissionais de imprensa durante a crise sanitária. O estudo foi realizado com 293 jornalistas (atualmente trabalhando) dos países Brasil, México, Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Costa Rica, por questionário por e-mail, em julho deste ano.
Entre os dados levantados, está que mais da metade dos jornalistas latino-americanos (52%) conseguiu continuar trabalhando ‘sem interrupção’. Também, 60% disseram que, em suas redações, ninguém foi demitido e 37% adaptaram com sucesso seus modelos de negócios às novas realidades.
O estudo também revelou uma evolução na maneira que estes profissionais produzem e verificam conteúdo atualmente. É que 22% estão rastreando e recolhendo citações diretamente dos feeds de mídias sociais dos porta-vozes, e 47% publicam entrevistas de vídeo ou áudio pré-gravadas, enviadas por organizações que desejam contribuir com uma história. Além disso, 51% estão usando aplicativos de bate-papo para obter e citar conteúdo de fontes.
De acordo com Claudia Daré, sócia-fundadora da LatAm Intersect PR, essa mudança nos canais de comunicação altera a dinâmica entre a mídia, o departamento de comunicação das empresas e seus porta-vozes. “Esse uso das mídias sociais está facilitando um relacionamento mais direto entre jornalistas e fontes de informação. Isso não é só inevitável, mas positivo em termos de transparência e velocidade de resposta”, apesar do olhar otimista, ela alerta que os setores de comunicação corporativa ainda precisam adaptar suas práticas, tendo esse novo cenário de atuação.
E quando a pandemia terminar?
Conforme a pesquisa, os principais requisitos elencados pelos jornalistas para prosperar pós-pandemia incluem:
– 53% estão procurando conteúdos personalizados, relevantes e adaptados à sua publicação;
– 44% precisam de conteúdo ‘genuinamente exclusivo’;
– 41% gostariam de “respostas (quase) em tempo real aos assuntos do dia”;
– 39% estão procurando mais conteúdo de vídeo para apoiar suas matérias;
– 24% exigem mais informações básicas para contextualizar as histórias.
Brasil pessimista
Apesar da resiliência demonstrada no levantamento, a última questão aos profissionais foi uma pergunta aberta para expressassem com uma palavra como resumiriam seu país depois de passar pela pandemia. O Chile é o que mais demonstra pessimismo com 81,8% de palavras negativas, seguido do Brasil com 76,7% e do México com 68,9%. Costa Rica e Peru são os mais otimistas com 60% e 52% palavras positivas, respectivamente.
As palavras que apareceram com mais frequência foram: caos, incerteza, crise, desigualdade, desastre, devastado, catástrofe, entre outras mais positivas como resiliência, resistência, esperança, adaptação, oportunidades e sobrevivente.

