Na última semana, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo decretou o encerramento da recuperação judicial do Grupo Abril, iniciada em agosto de 2018. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho assinou a sentença de encerramento do processo. O texto declara que, até setembro de 2021, 100% dos créditos, em dólares, e 99,4% dos créditos, em reais, que compunham a dívida do conglomerado de mídia, já haviam sido pagos.
Este encerramento, no entanto, não significa o fim dos processos paralelos e independentes ligados à ação principal. De acordo com o juiz, tais processos não serão prejudicados, porque todos os pagamentos tiveram de ser incluídos no plano de recuperação feito pela empresa em 2019. Naquele ano, o Grupo Abril propôs a venda de alguns ativos para cobrir o débito que, no ano anterior, chegou a R$ 1,6 bilhão.
Na ocasião, uma das soluções oferecidas pela empresa foi a venda da marca Exame, que em dezembro de 2019 foi negociada, em leilão, pelo banco BTG Pactual. Em maio de 2021, o grupo vendeu, também por meio de leilão, a antiga sede, localizada na marginal Tietê, na cidade paulista, que foi adquirida pela Família Fares. Segundo a Folha, o imóvel foi comprado por R$ 118, 7 milhões.
Em junho do ano passado, a organização firmou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociar a dívida que, na época, era de R$ 830 milhões. No trâmite, a empresa ofereceu alguns dos títulos, como ‘Veja’, ‘Quatro Rodas’ e ‘Capricho’, como garantia para a negociação com o governo.
A estimativa era que essa negociação trouxesse à Abril cerca de 70% de desconto em relação ao total do débito. O acordo é firmado pelo Governo com empresas que comprovam dificuldades financeiras. A reportagem do jornal diz, contudo, que, apesar de a Justiça ter decretado o fim da recuperação judicial, caso alguma parte do plano de recuperação proposto pelo Grupo Abril não seja cumprida, os credores poderão pedir a falência da empresa ou a execução da dívida.

