O jornalista Bernardo Kucinski, em sua coluna no site da Agência Carta Maior, apresentou duras críticas à gestão de Eugênio Bucci na presidência da Radiobrás, agência estatal de notícias. “Hoje, temos uma comunicação dominante de caráter privado de má qualidade, uma comunicação pública débil e fragmentada, e uma comunicação estatal que ficou com vergonha de ser estatal”, escreveu Kucinski. A linha editorial definida pela Radiobrás foi o principal alvo das reclamações do ex-assessor de Lula, que acredita que a estatal teve medo de ser tachada de chapa-branca. “Sendo a única grande agência de notícias sediada na capital da República, atos e ações de governo deveriam ser seu foco principal (…) Governos democráticos têm obrigação de informar. A informação com foco no governo não é autoritarismo. É transparência”, defende.
Kucinski critica a falta de investigações próprias e objetivas pela agência em escândalos como o do mensalão. “A Radiobrás reproduziu o discurso da grande imprensa”, alega. Para o jornalista, o “equívoco” de Bucci se deu por conta de uma falta de diagnóstico político, “tanto do estado de decadência do jornalismo brasileiro, quanto do domínio de classe da indústria da comunicação no Brasil”, apontou. “A Radiobrás foi se inspirar num modelo da BBC, de uma outra realidade e nascido num outro tempo”, compara.
No Estado de S. Paulo, Bucci se defendeu. “Tivemos de mudar o projeto editorial. Não há lei que diga que nosso papel deve ser de relações públicas”, afirmou. “O Governo não pode dirigir o noticiário. Governo é fonte e alvo de investigações; deve ser fiscalizado e deve dar respostas”, acredita Bucci.

