Os 20 anos da morte de Daniel Herz motivaram a mais recente edição da Nova Coonline, que recebeu o jornalista, cartunista e ilustrador Celso Augusto Schröder. Conduzido por José Vieira da Cunha, o encontro revisitou contribuições políticas, acadêmicas e institucionais de Herz, destacando sua influência duradoura no debate sobre Mídia e Jornalismo.
A conversa teve como ponto de partida um texto sobre Herz escrito por Schröder e outros autores. Além da relação profissional, o convidado compartilhou aspectos da convivência pessoal com o jornalista, ressaltando sua firmeza de princípios e sua atuação em iniciativas ligadas à participação cidadã e à comunicação. “Uma pessoa que viveu intensamente e tinha ideias brilhantes”, resumiu.
A influência de Herz na formação acadêmica também ocupou parte importante do debate. Os participantes ressaltaram sua contribuição para a criação da graduação de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. “Ele montou o curso com uma visão estratégica. Todas as matérias de outros cursos que poderiam ter algo a ver com Comunicação, com Jornalismo, ele reivindicava para o curso”, acrescentou Carlos Müller, um dos integrantes da reunião.
Legado
Os participantes também revisitaram a atuação de Herz na defesa de marcos importantes para o setor. Foram lembradas suas contribuições para a regulamentação da TV a cabo e seu envolvimento em debates posteriores sobre a implantação da TV digital. “A lei da TV a cabo é dele. Os empresários só endossaram porque estavam encalacrados pela pressão de implantação da tecnologia”, explicou Schröder.
De acordo com o convidado, embora Herz defendesse a criação de uma legislação geral para a Comunicação, o jornalista logo percebeu que isso não aconteceria, principalmente devido à pressão de empresários do setor, mas também pela velocidade com que a área estava evoluindo. “Então ele optou por regular as tecnologias. Ele dizia: ‘As tecnologias abrem janelas’”, relatou.
Infelizmente, Herz morreu durante os debates que levaram à implementação da TV Digital. “Diferentemente da lei da TV a cabo, que nós ganhamos, com a TV Digital, nós perdemos”, afirmou Schröder. De acordo com o convidado, a lei acabou sendo pautada pela Rede Globo, que limitou o potencial da tecnologia. “A ausência do Daniel foi decisiva para nos enfraquecer”, avaliou.
Ao final, a discussão se voltou para os desafios contemporâneos do Jornalismo diante da desinformação e da crescente presença do entretenimento nos ambientes informativos. Nesse contexto, o legado de Herz foi associado à defesa de um jornalismo comprometido com a verdade e com o conhecimento.
Confira o bate-papo completo no vídeo abaixo:

