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Lobistas se credenciam como jornalistas para ter acesso ao Senado

Denúncia é do Comitê de Imprensa da Casa, presidido pelo gaúcho Fabio Marçal

A forma como ocorre o credenciamento dos jornalistas que cobrem o Senado está preocupando o Comitê de Imprensa da Casa, o qual denuncia que o sistema permite a lobistas freqüentar o local como se fossem repórteres. O comitê agrega os profissionais responsáveis pela cobertura da mídia e já cogita pedir renúncia, caso o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), não aceite uma audiência para discutir o problema. “Há mais de dois meses o primeiro-secretário, Efraim Moraes, prometeu formar um grupo de trabalho para discutir a regulamentação do credenciamento. Se o grupo foi formado ainda não foi apresentado”, disse o presidente do Comitê de Imprensa, o gaúcho Fabio Marçal, ao site Comunique-se.

Após um ano de pesquisa, o jornalista apurou que não existem mais de 100 repórteres cobrindo o Parlamento diariamente, apesar de haver cerca de 300 credenciados. “Os critérios precisam ser mais rígidos”, afirma Marçal, que explica que usuários de blogs também tiveram acesso a credenciais: “Não sou contra blogueiros serem credenciados, mas precisamos credenciá-los de forma diferente dos demais jornalistas”. O responsável pela segurança da Casa, Pedro Ricardo, e o senador Marco Maciel (PFL/PE), autor de um projeto de regulamentação do lobby, não foram encontrados para comentar o assunto.

Desde a última quarta-feira, jornalistas têm tido problemas na relação com os políticos. O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT/SP), desengavetou um projeto para mudar o Comitê de Imprensa do lugar em que está há 30 anos. O objetivo de Chinaglia seria evitar passar por repórteres ao entrar no plenário. Ele formou uma comissão para discutir os critérios de credenciamento no local, embora o Comitê de Imprensa da Câmara negue que haja não-jornalistas credenciados como repórteres lá. “Estamos adotando critérios cada vez mais rígidos”, disse José Maria Trindade, presidente do Comitê de Imprensa da Câmara.

O grupo de trabalho também deve debater a opção de haver mais de 20 especialidades médicas disponíveis para jornalistas e suas famílias por conta da Casa. Chinaglia e Trindade são a favor da extinção do benefício.

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