O relatório anual ‘Violações à Liberdade de Expressão – 2017’, da ONG Artigo 19 de defesa à liberdade de imprensa e aos direitos humanos, registra que 73% dos jornalistas, radialistas e blogueiros que sofreram algum tipo de assédio violento em 2017 já haviam sido ameaçados ou atacados anteriormente. O estudo, que está em sua sexta edição, foi divulgado na última semana. Segundo o levantamento, ao todo, foram registradas 27 violações no ano passado, das quais 21 foram ameaças de morte, quatro tentativas de assassinato e dois homicídios. Embora os números tenham caído em comparação aos de 2016 – 31 violações –, eles seguem altos em relação a outros países e próximos da média histórica brasileira.
O Nordeste continua sendo a região que concentra o maior número de atentados, com 56% dos casos. Na divisão por estados, o Ceará aparece em primeiro lugar, com sete registros no total e dois homicídios. A maioria das violações (69%) ocorreu em cidades com menos de 100 mil habitantes, enquanto municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes registraram 23% dos casos. Nos grandes centros, com mais de 500 mil habitantes, aconteceram 8% das ocorrências apuradas.
Os agentes públicos e políticos, conforme os dados levantados pela ONG, são suspeitos de terem atuado como executores ou mandantes das violações em 70% dos casos. Na análise das motivações que levaram aos atentados, a realização de denúncias foi a mais comum (67% dos casos), seguido da emissão de críticas e opiniões (26%) e das investigações jornalísticas (7%).
Uma análise cruzou a ocorrência das violações com os dados existentes no Atlas da Notícia, uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e do VoltDataLab, que mapeia os jornais impressos e online do País. Concluiu-se que quase a metade das violações ocorreu em cidades que não possuem nenhum veículo de imprensa periódico. Notou-se que nessas regiões os atentados normalmente são contra blogueiros e comunicadores independentes.

