O repórter da Rede Globo Marcelo Canellas condenou a angústia do profissional da imprensa com as novas tecnologias e o futuro do jornalismo. Durante palestra realizada no 23º SET Universitário, que acontece desde terça-feira, 21, na PUC, Canellas assegurou, mais de uma vez, que o diferencial está mesmo nas pessoas que fazem o jornal. Para ele, a tecnologia sempre muda, e “a preocupação maior deve ser se o avanço tecnológico acompanha o avanço da ética. A diferença está nas pessoas”.
Canellas classifica como mentirosa a ideia de que o público de hoje não tem tempo para ouvir histórias. Depois de mostrar um trecho de uma reportagem da série sobre a fome, que foi ao ar em 2001, no Jornal Nacional, o profissional contou um pouco mais sobre uma das personagens da matéria, Maria Rita, que, passando fome, morreu 15 dias depois da gravação. Com isso em mente, afirmou que “o jornalista tem que ter humildade intelectual para saber que não mudará a sociedade. O jornalismo joga luz nos assuntos mais obscuros e abre os olhos das pessoas que, aí sim, têm o poder de mudar as coisas”.
Canellas afirmou ainda que não acredita em conceitos de neutralidade e imparcialidade. “A ética do profissional é a ética do cidadão, logo o que me revolta como cidadão é pauta jornalística”. O 23º Set Universitário da PUC, que se encerra nesta quinta-feira, 23, tem como tema principal ‘A comunicação em tempos de certezas provisórias’.

