Com matéria produzida pelo jornalista gaúcho Marco Aurélio Souza, do Sportv e da Rede Globo, foi reconhecida na tarde de ontem, 23, em evento de premiação aos melhores do mundo da Fifa, o ‘Fifa The Best’ a história de Silvia Grecco e Nickollas Grecco, mãe e filho. Acontece que ela narra as partidas do Palmeiras para ele, que é deficiente visual. A reportagem rendeu à família a distinção da categoria ‘Fifa Fan Awards’.
Em conversa com Coletiva.net, Marco Aurélio comentou que, na oportunidade, estava cobrindo o clássico Palmeiras x Corinthians, válido pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2018. Sobre a descoberta da família, citou que “antes de terminar o primeiro tempo, olhei para eles e estavam exatamente atrás do banco de reservas do Palmeiras. Então, vi aquela cena impactante: a mãe narrando o jogo para um filho que não enxerga. Assim que terminou o primeiro tempo, fui lá e falei com ela. Perguntei os nomes, a história… Ela me contou que não era a primeira vez que o levava ao estádio, e que justamente o Allianz Parque era o lugar que Nickollas mais gostava no mundo”.
A respeito da repercussão e viralização das imagens, Marco Aurélio lembrou que só conseguiu narrar a história aos 20 minutos do segundo tempo, pois logo que iniciou o segundo tempo saiu o gol do Palmeiras. “Chamei o Cleber Machado, que era o narrador da partida, e aí mostramos a história. Imediatamente, a imagem começou a rodar o mundo. Na terça-feira seguinte, nos encontramos pela segunda vez, aí a coisa ficou absurdamente grande, e foi parar no premio da Fifa ontem”, recordou.
Marco comentou também que está muito orgulhoso e feliz por acreditar no Jornalismo que olha para as pessoas, e não só para o fato, o jogo de futebol, o ‘bola vai e bola vem’, como o próprio jornalista diz. “Eu acredito muito que contar história das pessoas que são apaixonadas por futebol é muito mais legal do que simplesmente contar o placar de um jogo. Então, para mim, esse é o maior prêmio que eu posso receber na vida, nenhum reconhecimento de jornalismo pode ser maior do que esse. O mundo parou pra ouvir o discurso dela, e é isso que está me tornando hoje o jornalista mais feliz do mundo”, finalizou.
Ele, que participou de diversos programas ontem para relatar o feito, destacou no Bem, Amigos!, da Sportv, que um dos detalhes que mais mexeu com ele foi o fato de Nickollas ser adotivo. “Ela o conheceu quando ele tinha 5 meses, nasceu prematuro. Doze casais negaram a adoção por ele ter essa condição”, detalhou o jornalista. Marco Aurélio concluiu, alertando àqueles que sonham com a profissão: “Quando alguém ensinar que o bom jornalismo é a posse de bola, o percentual de gordura e o terceiro lateral do Chelsea, devolva uma história de futebol. Se existe futebol, é porque existe o torcedor”.

