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Médico prega mudança na relação com pacientes

O diretor da Santa Casa de Misericórdia alerta que não se deve encarar o paciente como um consumidor

Para o diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, José Camargo, a função primordial dos médicos é “aliviar sofrimentos”. A afirmação foi feita ao palestrar no evento Tá na Mesa, realizado pela Federasul nesta quarta-feira, 8, quando ele confessou temer que o Brasil siga o mesmo erro americano de enxergar o enfermo como consumidor. 

Segundo Camargo, “nos Estados Unidos instituiu-se uma medicina defensiva, onde o médico é obrigado a se cercar de uma série de precauções por medo de sofrer um processo. Isso aumenta dramaticamente os custos, despersonaliza a relação médico/paciente, aumenta o turismo médico para outros países”, justificou lembrando que o Brasil já sente esta reação e está atendendo estrangeiros. Ao falar sobre o tema “Os Médicos do Século XXI”, ele criticou a impessoalidade dos profissionais que se escondem atrás da instituição. “Normalmente quando se pergunta a um paciente com quem ele está se tratando ele não sabe dizer o nome do médico e sim da instituição onde está fazendo o tratamento”, explicou.

Aplaudido em pé ao final da palestra, Camargo disse ainda que o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é “caríssimo” e que, por esta razão, somente 20% dos pacientes são operados. “Num país onde as pessoas morrem por doenças curáveis, como a dengue, a tomografia computadorizada, capaz de revelar o câncer no pulmão no seu início, é impensável de tão cara”.

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