O estudo ‘Sustentabilidade Racial: dados e estatísticas sobre a população negra no Brasil’, divulgado pela revista Exame, aponta que esta parcela da sociedade é minoria em todos os cargos do setor publicitário no Brasil. Além disso, negros têm salários que representam a metade do que faturam os brancos. As revelações surgiram a partir de recortes específicos para a área de Publicidade e Propaganda. Os resultados completos podem ser conferidos no link.
A iniciativa leva em conta três tópicos para analisar a desigualdade: diferenças no número de colaboradores e salariais, bem como o índice de desequilíbrio racial. Michael França, pesquisador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper e coautor da pesquisa, revela que este levantamento teve pontapé no mercado publicitário por dois motivos: “o Ministério Público do Trabalho desenvolve um projeto para mudar o cenário atual, e por ser o setor é responsável pela criação e reprodução de diversos estereótipos raciais e de gênero”.
Alê Garcia, criador de conteúdo, escritor e senior creative do Nubank, foi procurado pela reportagem de Coletiva.net. O publicitário ilustrou o que pensa a respeito da pesquisa e afirmou que a diversidade anda a passos de formiga no Brasil. “O fato é que a Publicidade sempre foi um espaço de elite, competitivo e inóspito, principalmente para as pessoas negras”, apontou ele.
Em resposta ao portal, Alê esclareceu: “Sempre houve um funil dificultando nossa entrada e um comportamento mercadológico de autoindicação do mesmo padrão de pessoas: homens, brancos, cis”. Para ele, quebrar esta barreira e ascender profissionalmente neste contexto é um processo doloroso e demorado para as pessoas negras. “Complicado também é levantar a voz contra esta situação discriminatória sem receber a pecha de vitimista”, frisou.
Luta por mudanças
O publicitário entende que não há outra maneira de mudar este cenário se não for reconhecendo abertamente o problema e buscando ativamente a mudança. “E esta precisa acontecer de forma ostensiva e forçosa, sim, por meio de programas com este objetivo: colocar pessoas negras em cargos de liderança publicitária”, salientou.
Alê defendeu que o movimento precisa contar com especialistas para que seja feito da melhor forma. Para ele, também é necessário criar grupos de afinidades nas agências e empresas para acolher estes profissionais.
O senior creative do Nubank apontou que é preciso promover mudanças internas e prestar contas de que as mudanças estão acontecendo por meio de números. “A pressão social deve ser uma constante e esta disparidade em relação aos profissionais negros precisa ser a questão a ser resolvida em nosso mercado”, destacou. Alê disse que a falta de avanços na questão da equidade é motivo de vergonha.
Em média, uma mulher negra recebe 45% da remuneração de um homem branco. Homens negros também estão em desvantagem, já que recebem apenas 54% de um homem branco que executa uma mesma função. Já no caso das mulheres brancas, essas recebem cerca de 81% do que um homem branco recebe.

