Uma pesquisa conduzida pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), aponta que 50% dos jornalistas relatam sofrer de depressão. O estudo ‘Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil’ reúne respostas de 257 profissionais que descrevem suas experiências no mercado. O relatório foi divulgado nos últimos dias entre a série de ações da Federação em alusão ao ‘Setembro Amarelo’.
Além da depressão, nos níveis severo e extremamente severo, conforme os entrevistados, também foi observada alta prevalência de estresse e ansiedade. A rotina da profissão envolve exposição constante a situações desafiadoras, coberturas de temas sensíveis, descredibilização e ataques físicos ou digitais. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, 36,3% dos alertas registrados em 2025 envolveram agressões verbais, escritas ou virtuais.
Em anos eleitorais, a cobertura política é uma das principais fontes de violência cotidiana contra a imprensa. De acordo com o relatório da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), da qual a Abraji faz parte, durante o período eleitoral de 2024 foram identificados mais de 57 mil ataques digitais contra a imprensa nas redes sociais. Neste ano, já foram registrados pelo menos quatro mil ataques diretos a jornalistas e veículos de Comunicação.
Para a presidente da Fenaj, Samira de Castro, os dados demonstram que a saúde mental dentro do Jornalismo não pode ser tratada como uma responsabilidade individual. “Precisamos mudar essa cultura. O jornalista não pode ter medo de dizer que está adoecendo. Não podemos transformar o trabalhador no responsável por um problema que é produzido pelas condições em que ele trabalha”, defende.
A Abraji orienta, em seus relatórios e em seu guia sobre prevenção de ataques contra a liberdade de imprensa, que redações e empresas de Comunicação assumam responsabilidade direta na proteção de suas equipes. O guia defende que as instituições adotem protocolos de segurança e ofereçam treinamento para coberturas de risco.
Para Samira, combater a sobrecarga mental dos jornalistas é também zelar pela qualidade da profissão. “Um profissional submetido permanentemente à exaustão, à pressão e à precarização terá mais dificuldade de exercer plenamente sua função social. Defender condições dignas de trabalho, portanto, é também defender um jornalismo mais forte, ético, independente e comprometido com a sociedade”, afirma.

