Durou uma hora e 45 minutos o encontro desta manhã promovido pelo Clube de Editores de Opinião com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Liberdade de imprensa, sucessão presidencial e governamental, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, crimes contra o estado e corrupção estiveram entre os assuntos levantados pelos 21 profissionais que participaram do debate realizado no Hotel Plaza São Rafael.
O vazamento de informações confidenciais para a Rede Globo, sobre procedimentos da Polícia Federal, foi creditado por Tarso à ação individual de algum agente público. Sobre o relacionamento com a imprensa de forma geral, o Ministro disse que não identificou nenhum ataque à liberdade de expressão no país. “Sou contra a quebra de sigilo na fonte, o que é, aliás, uma norma constitucional”, afirmou, reconhecendo que há uma rede ilegal de escutas, embora a Justiça, em resposta a pedido de deputados federais, tenha informado que há pouco mais de 13 mil escutas autorizadas oficialmente.
Tarso queixou-se de “certos setores da imprensa do centro do país” que criticam a atuação do Ministério da Justiça em relação ao delegado Protógenes Queiroz, o condutor da Operação Satiagraha. “Não tenham dúvidas de que, se ele cometeu alguma ilegalidade, ele pagará pelo que fez. Há informações de que ele teria liberado sua senha de acesso ao sistema Guardião para funcionários da ABIN. São coisas como estas que estão sob investigação.”
Apesar das críticas, Tarso entende que não há má vontade política por parte dos “certos setores da imprensa”. O que há, afirmou, é uma forma de tratamento diferenciada em relação a políticos de São Paulo e de Minas Gerais, devido a uma disputa sobre os rumos da Federação em assuntos como reforma política e reforma tributária. “As dissidências se resumem a disputadas políticas”, acrescentou.


