O jornalista Erico Valduga morreu nesta terça-feira, 29, aos 80 anos, em Porto Alegre. Ele estava internado no Hospital de Clínicas, onde tratava um câncer. Em mais de quatro décadas de carreira, o profissional trabalhou em redações da imprensa gaúcha e ocupou cargos na Comunicação de instituições públicas e partidárias.
Durante a carreira, Valduga foi repórter, redator, editor, chefe de Reportagem e chefe de Redação. Passou pela revista A Granja, pelo Correio do Povo, pela Editora Abril, pela Folha da Tarde, pela Gazeta Mercantil, pela Rádio Guaíba e pelas TVs Band, Guaíba e Pampa. Seu trabalho mais recente no Jornalismo era a edição da ‘Periscópio’, newsletter dedicada à Política do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Na Comunicação Institucional, exerceu a função de superintendente de Comunicação da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS). Também coordenou a Assessoria de Comunicação do MDB-RS entre 2004 e 2006, durante a presidência de Pedro Simon.
“Carreira fulminante”
Elmar Bones, editor do Jornal JÁ, definiu Valduga como “um dos expoentes de uma geração que libertou o Jornalismo gaúcho do jargão burocrático imposto pelo Correio do Povo”. Segundo ele, o jornalista integrava um grupo de jovens recém-formados que, no final dos anos 1960, trabalhava na Folha da Tarde, em uma equipe liderada por Walter Galvani. Entre os colegas estavam Danilo Ucha, Divino Fonseca, Iara Maria Rech, José Antonio Pinheiro Machado, Kenny Braga e Roberto Appel.
Para contextualizar o ambiente da época, Bones recordou uma história sobre o prestígio do CP. “É célebre a história do arcebispo que só acreditou que era verdadeira a notícia da morte do papa quando o Correio do Povo publicou 24 horas depois dos concorrentes. Mas a credibilidade e o prestígio que tinha vinham embalados em um estilo oficioso, formalíssimo, algo que parecia arcaico para aquele grupo de jovens que acompanhavam as mudanças de gosto e comportamento que ocorriam mundo afora”, relatou.
A Folha da Tarde, acrescentou Bones, foi a “trincheira” desse grupo. Nesse ambiente, Valduga se destacava pelo equilíbrio e pelo cuidado na apuração. “Valduga era diferenciado. Discreto, comedido, com grande senso de responsabilidade e rigoroso com as informações, era ele quem muitas vezes continha os excessos dos mais afoitos ou criativos”, afirmou.
Bones descreveu a ascensão do colega como uma “carreira fulminante”: de estagiário, passou a repórter, redator e editor de Política, função que exerceu por muitos anos durante um período que considera um dos melhores do Jornalismo Político gaúcho. Também lembrou sua atuação à frente da redação da Gazeta Mercantil em Porto Alegre. “Tenho dele a imagem de um colega exemplar, um amigo querido e valoroso”, concluiu.
Despedidas
O jornalista deixa a esposa, Lígia, e os filhos Lourenço, Gonçalo e Vitória. A despedida ocorre no Angelus Memorial e Crematório, em Porto Alegre, a partir das 20h desta terça-feira, na sala 3. A homenagem está marcada para as 10h30 de quarta-feira, 30. O velório terminará às 11h, seguido da cremação no mesmo local.

