O músico, compositor e tradicionalista Bagre Fagundes morreu neste domingo, 2, aos 86 anos, em Porto Alegre. Ex-colunista do Diário Gaúcho, ele iniciou a trajetória artística em programas da Rádio Cultura de São Borja e foi coautor de ‘Origens’, música utilizada por quase 40 anos como tema de abertura do ‘Galpão Crioulo’, da RBS TV. A informação sobre a morte foi confirmada pelo filho Ernesto Fagundes.
Bagre estava internado no Hospital Ernesto Dornelles desde maio, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória após se engasgar durante uma refeição em casa. A despedida acontecerá no Palácio Piratini, a partir das 10h, e será aberta ao público.
Nascido Euclides Fagundes Filho, em Uruguaiana, ele cresceu em Alegrete e construiu uma trajetória ligada à difusão da cultura regional. Ainda jovem, começou a se apresentar em atrações da Rádio Cultura de São Borja, experiência que marcou o início de sua carreira musical.
A relação com a imprensa também incluiu a atuação como colunista do Diário Gaúcho. Em 2018, ao assumir um espaço no jornal, Neto Fagundes recordou que já havia substituído o pai em algumas edições. No ano seguinte, Bagre e os filhos Neto, Ernesto e Paulinho também inspiraram ‘Os Fagundinhos’, seção semanal de quadrinhos, com histórias da família publicadas pelo veículo.
Na televisão, sua obra manteve uma ligação com o ‘Galpão Crioulo’. Composta ao lado do irmão Nico Fagundes, ‘Origens’ acompanhou a abertura do programa da RBS TV por quase quatro décadas. Outra criação da dupla, ‘Canto Alegretense’, tornou-se uma das músicas mais conhecidas do cancioneiro regional e ganhou projeção nacional.
Bagre também participou de produções audiovisuais. No filme ‘O Grande Rodeio’, produzido por Nico, interpretou um artista popular que se apresentava com uma gaita na Praça Getúlio Vargas, em Alegrete. A produção foi filmada no Rio Grande do Sul e contou com a participação de moradores da região.
Música em família
Entre as décadas de 1970 e 1980, Bagre integrou o grupo Os Angüeras. Posteriormente, formou a banda Inhanduy com os filhos Ernesto e Neto, projeto que participou de festivais como a Tertúlia Musical Nativista, a Califórnia da Canção Nativa e a Ronda da Canção Nativa.
A formação deu origem ao grupo Os Fagundes, criado em 2001. O conjunto reuniu Bagre, Nico, Neto e Ernesto e, mais recentemente, passou a contar também com Paulinho. Em 2025, o músico recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Governo Federal a personalidades e instituições que contribuíram para a cultura brasileira.
Bagre foi casado por mais de seis décadas com Marlene Vilaverde, com quem teve quatro filhos: Neto, Ernesto, Luciana e Paulinho. Em 2025, a família realizou um espetáculo no Teatro do Bourbon Country em homenagem à trajetória do patriarca.

