Notícias

Morre o jornalista Luiz Reni Marques

Profissional estava em tratamento paliativo para um câncer, já em fase de metástase

Luiz Reni Marques construiu uma trajetória reconhecida no Jornalismo brasileiro. Crédito: Reprodução.

Aos 72 anos, o jornalista Luiz Reni Marques morreu na manhã desta sexta-feira, 31. O profissional estava em tratamento paliativo devido a um câncer, já em fase de metástase. Conforme noticiou o Coletiva.net, em maio, foi realizado um leilão beneficente em prol do do comunicador a fim de arrecadar recursos para auxiliar no enfrentamento da doença, bem como de uma fibrose pulmonar.

A cerimônia fúnebre de Reni será no sábado, 1°, na sala 02 do Crematório Metropolitano de Porto Alegre. A visitação terá início às 10h30 e a despedida ocorrerá às 16h30.

Nascido em Porto Alegre, em 1954, Reni construiu uma trajetória reconhecida no Jornalismo brasileiro. Atuou como repórter em veículos de projeção nacional como Zero Hora, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Folha de S.Paulo, Senhor e IstoÉ. Também trabalhou na Rádio Gaúcha e exerceu a função de assessor de imprensa durante a Assembleia Nacional Constituinte.

Além da atuação em redações, dedicou-se à formação de novos profissionais ao lecionar Redação Jornalística na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Integrou, ainda, o Clube de Editores e Jornalistas de Opinião e manteve presença ativa na cena cultural e intelectual gaúcha.

‘Confraria do Alemão’

Reni foi um dos fundadores e integrantes da ‘Confraria do Alemão’, grupo de jornalistas que se reúne todas as quintas-feiras, no Bar do Alexandre, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. A denominação ‘Confraria do Alemão’ é em alusão ao apelido ‘Bar do Alemão’, que o local recebe.  

Ao portal, o jornalista Marco Poli contou que a ‘Confraria do Alemão’ se formou com o intuito de reunir semanalmente os veteranos do Jornalismo. “O nosso assunto primordial sempre será o dia a dia e o amanhã da categoria, especialmente nesse momento em que o jornal deixou de ser o veículo com a importância maior”, explicou.

Além disso, Marco relembrou como Reni foi imprescindível em um momento delicado da sua vida. “Foi o Reni que me ensinou a fazer jornal. Eu sempre fui de veículos eletrônicos: rádio, TV e digital. Ele ficou sabendo que eu estava numa situação delicada por conta do fim de um casamento e me levou para dentro da redação da sua empresa, a Sinal Comunicações, e me ensinou a editar um jornal que ele próprio criou, em 1994”, contou.

Na Literatura

Reni é autor de romances como ‘Noite longa demais’ e ‘O último concerto de jazz’, obra que aborda a participação dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. Também escreveu ‘O Mar de Dentro no Continente de São Pedro’, livro que resgata a história e a relevância das hidrovias no Rio Grande do Sul.

O jornalista também participou do livro ‘Entre um Gole e Outro’. Lançada em 2023, a obra conta as histórias relacionadas à ‘Confraria do Alemão’. A autoria é de 11 jornalistas, entre eles o colunista do Coletiva.net Flávio Dutra e os comunicadores Alexandre Bach, Carlos Wagner, Horst Knak, Marcelo Villas-Boas, Márcio Pinheiro, Mario de Santis, Elton Werb, Marco Poli e Ricardo Chaves, o ‘Kadão’.  

Em 2024, a obra ‘Entre um Gole e Outro’ recebeu o segundo volume. E, em 2026, ‘Entre um Gole e Outro 3 – Um Tributo ao Kadão’ reuniu relatos e fotos para homenagear o fotojornalista. No primeiro volume do livro, Reni publicou uma autobiografia.

Confira o texto na íntegra:

LUIZ RENI MARQUES, por Reni

O ano de 1954 teve grandes acontecimentos. A morte do presidente Getúlio Vargas, a inauguração do Estádio Olímpico, do Grêmio e o mais importante, para mim, claro, meu nascimento, em Porto Alegre, de onde saí aos 22 anos de idade para morar em Palmeira das Missões, como funcionário do Banco do Brasil. Comecei a trabalhar aos 12 anos como entregador do Jornal do Comércio. Depois fui menor aprendiz na Mesbla e balconista da loja de discos Artes Reunidas. Sem ideia do que pretendia ser, entrei nos cursos de direito, na PUCRS e de história, na UFRGS, que interrompi durante os dois anos que morei no interior. Ao voltar fiz novo vestibular para jornalismo na Famecos, o único que concluí. Alternei por cinco anos o trabalho no banco estatal e em veículos de comunicação, por alguns meses no moribundo Diário de Notícias, depois na Rádio Gaúcha e em Zero Hora. Em 1985, escolhi entre o joio e o trigo e saí do BB. Amigos e parentes disseram que fiquei com o joio.

Nas décadas seguintes passei pelas sucursais de Porto Alegre de Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, IstoÉ, Folha de São Paulo e Diário do Sul. Fiz reportagens como freelance para a Reuters, dei aula na PUCRS e fui assessor de imprensa na Câmara dos Deputados durante a Assembleia Nacional Constituinte. Retornei ao sul, abri um bar de jazz que durou dois anos e ajudei a criar a Folha de Hoje como repórter e viajei bastante, até o fechamento da publicação menos de três anos após ser lançada. Fundei, então, a Sinal Comunicações e fui promotor de uma feira no segmento de comércio exterior. Tudo andou bem até o início dos anos 2010, quando o novo perfil da comunicação a partir da evolução da internet e erros meus, a empresa entrou em declínio. Agora, no que imagino ser a derradeira etapa da vida, edito um blog e escrevo livros, por enquanto dois romances e um de história. E sigo em busca de algo maior, mesmo sem saber exatamente o quê.

Aos meus filhos João Pedro e Felipe, e ao G. E. Oscar Tollens, em Porto Alegre, onde cursou o primário e aprendi a gostar de livros, na sua biblioteca de 3 m x 4 m.

Compartilhar:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.