Na semana passada, o Banrisul inaugurou um espaço exclusivo para o programa BanriTech em um ambiente localizado junto ao Museu de Comunicação Hipólito José da Costa (MuseCom), no Centro Histórico de Porto Alegre. Para entender o impacto que essa ocupação tem no empreendimento cultural do Estado e se ele poderia afetar as exposições e demais atividades dedicadas à Cultura, por exemplo, a reportagem do Coletiva.net conversou com o diretor do MuseCom, Welington Silva.
Conforme o gestor, a área de cerca de 400m² ocupada pelo banco era um espaço de eventos auxiliar com acesso pela Rua Caldas Júnior, 261. Cedido por meio de um Termo de Permissão de Uso para a Associação de Amigos do Museu, o local era destinado, sobretudo, à ocupação de atividades em eventos em parceria com outras instituições. Como exemplo, citou o ‘Museu do Futebol na Área’, realizado pelo Museu do Futebol, em 2018, ‘500 anos do falecimento Leonardo Da Vinci’, do Consulado Italiano, e a ‘Noite dos Museus’, em 2019. De acordo com ele, o intuito era “movimentar o público e eventualmente trazer ao museu alguma contrapartida estrutural ou financeira”.
O museólogo garante que esta ocupação não retira locais destinados a exposições ou eventos culturais. “Esse era um espaço que já vinha sendo ocupado sempre a partir de parcerias, o que mudou nesse momento é que a parceria da ocasião tem uma nova finalidade de uso e que ocupa integralmente a agenda do espaço.”
O salão de exposições principais do museu segue ativo, com cerca de 500m². “Estamos trabalhando na substituição da exposição de longa duração para o início de 2022, com a abertura das comemorações do centenário do prédio. Nossa expectativa é que no primeiro trimestre já tenhamos a nova exposição montada e à disposição do público”, adiantou.
O acordo

A partir deste Termo de Permissão, explica o executivo, foi feito um contrato de ocupação entre a instituição financeira e a Associação, em setembro de 2020, com anuência da Secretaria de Cultura e do Museu. “O processo foi todo acompanhado por nós, em uma busca de garantir a ativação daquele espaço o ano inteiro e garantir também apoio no subsídio financeiro para outras ações da instituição.”
O acordo prevê o repasse de R$360 mil anuais para a entidade, a qual encaminha ao museu. Além da verba, há uma série de benfeitorias estruturais já implementadas a partir da outorga do contrato. “Nossa expectativa é de seguir ampliando o fortalecimento desse vínculo de cooperação entre o MuseCom e o Banrisul.”
Welington aponta que os investimentos recebidos por meio das parcerias já realizadas em consequência do acordo com o banco têm como destino a qualificação estrutural do prédio, garantia de insumos técnicos para o trabalho de preservação e conservação e o fortalecimento da agenda de entregas da instituição. Entre eles, a implementação de elevador de acessibilidade no hall de acesso principal, requalificação do setor de pesquisas destinado ao público, reestruturação elétrica de diversos pontos do prédio, incluindo a readequação do relógio central com entradas de cargas, “que era um passivo enorme junto às instâncias competentes e que já foi foi colocado dentro do padrão adequado, implementação de repositórios digitais para consulta via web de acervos, entre outras atividades”, completa.
O gestor diz que trabalha para a manutenção do prédio e que a expectativa é até 2022 “solucionar ainda mais questões, garantindo, em seu centenário, um prédio seguro, ocupado e estruturado para abrigar as memórias da Comunicação em seus diversos suportes”.
Agenda cultural e digitalização de acervo
Além das questões físicas do prédio, o MuseCom segue com as programações de exposições. De acordo com Welington, dentro do planejado para este ano, o segundo semestre tem a maioria ainda na interface digital. Entre outras atividades, além da previsão da exposição dos 100 anos, que está em fase final, com as etapas de desmontagem e montagem, há avanços em planejamentos para qualificação de guarda, migração de suporte e documentação de acervos. “Um dos exemplos é o catálogo da ‘Casa A Eléctrica’ que lançamos ainda neste mês. Outros projetos nesse sentido estão sendo construídos para atender a demandas especialmente na área do cinema, da imprensa escrita e do rádio e fotografia.”
Com relação à digitalização do acervo histórico, ele afirma que esta vem sendo gradativamente realizada. “Nos últimos dois anos, vimos trabalhando fortemente em garantir a estrutura de guarda e difusão via web, construindo e garantindo alguns caminhos”, destacou o gestor que lembrou do lançamento, nesta quinta-feira, 23, da coleção ‘Retratos’, em celebração à 15° Primavera de Museus.

