A cobertura esportiva vive um momento em que a opinião passou a ocupar um espaço maior do que a apuração. A avaliação é do jornalista e comentarista do SporTV Paulo César Vasconcellos, convidado da mais recente edição da Coonline, confraria virtual que reúne jornalistas veteranos para debater temas ligados à profissão. Durante o encontro, o comentarista analisou os desdobramentos da Copa do Mundo, discutiu a situação da Seleção Brasileira e fez uma reflexão sobre os desafios atuais do Jornalismo Esportivo.
Para Paulo César, o principal verbo do jornalista continua sendo “apurar”. Segundo ele, a profissão perdeu parte desse compromisso ao privilegiar análises e opiniões em detrimento da busca por informações. “O Jornalismo é feito de apuração. O Jornalismo não é feito só de opinião. Hoje a gente está com muito mais opinião do que apuração”, afirmou.
Na avaliação do comentarista, esse movimento também dificulta o diálogo com o público. Ele defendeu que a cobertura esportiva vá além da análise tática e consiga abordar os aspectos humanos e culturais envolvidos no futebol. “Quando eu só falo de bloco alto, bloco baixo ou linha de quatro, eu converso apenas com uma bolha. Não estou dialogando com quem está do outro lado.”
Brasil perdeu identidade
Boa parte da conversa foi dedicada ao desempenho da Seleção Brasileira. Para Paulo César, o problema vai muito além da eliminação na Copa do Mundo e representa um processo de perda de identidade que já dura mais de duas décadas. O comentarista lembrou que é difícil recordar uma grande atuação da equipe nacional nos Mundiais recentes.
Em contraste, destacou a postura da Argentina, finalista da competição, como exemplo de envolvimento coletivo e capacidade de competir. Para ele, a equipe argentina leva para o campo um sentimento que se aproxima da paixão demonstrada pelos torcedores nas arquibancadas.
Ao longo da conversa, Paulo César também apontou problemas estruturais do futebol nacional. Entre eles, citou a exportação cada vez mais precoce de jogadores, a dificuldade de formação de atletas com identidade brasileira, o excesso de técnicos estrangeiros contratados sem critérios técnicos e a cultura imediatista dos clubes.
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