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Na ESPM, jornalistas relatam cobertura em Santa Maria

As convidadas fazem coro: não há como separar o profissional do ser humano.

Cerca de 30 estudantes se reuniram no auditório da ESPM para ouvir quatro jornalistas relatarem suas coberturas na tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria. O bate-papo, que integra a programação da Semana do Jornalista, promovida pela instituição, conta com a presença de Guacira Merlin, da RBS TV; Marcela Donini, da Agência Cartola; Natalia Fruet, da Band RS; e Priscilla Casagrande, da Record RS. Entre diversos questionamentos dos participantes, as profissionais fizeram coro em uma das respostas: não há como separar o jornalista do ser humano. Segundo elas, apesar da consciência de precisar fazer sua cobertura, a dor em diversos momentos era inevitável.

Para Natalia, da Band, um dos momentos mais difíceis foi quando abordou uma menina, em frente a Boate Kiss, que estava muito emocionada pela perda de uma irmã mais nova. “Foi impossível não lembrar da minha irmã, que também é mais nova e também gosta de sair para a ‘balada’. Desabei. Uma cobertura como essa e um misto de sentimentos”, detalhou a jornalista. Pela Record, Priscilla contou que a primeira vez que foi ao ginásio da cidade, para onde foram levados os corpos dos jovens, a cena foi péssima. “Vi caixões chegando, familiares em desespero. Tive que me controlar para não transparecer meu sofrimento, pois foi um momento muito sensível”, disse, para em seguida completar que uma cobertura da tragédia nunca é boa de ser feita. “Mesmo que traga muitos ensinamentos, me fez muito mal”, concluiu.

Marcela, da Agência Cartola, que trabalhou como correspondente de Veja online, relatou que foi pega de surpresa com a notícia e com a oportunidade de cobrir o caso diretamente do local. “Fui fazendo matéria de dentro do ônibus. Lembro de ter ido diretamente pata a boate, o dia estava muito quente, ninguém tinha a dimensão do que seriam aqueles próximos dias”, contou. A jornalista também afirmou que o ginásio municipal era “um cenário de horror, com a sensação de estar em um filme. Até hoje, isso ainda me abala”. Para Guacira, da RBS TV, a tragédia de Santa Maria foi uma das coberturas mais difíceis que realizou, chegando a ficar sem dormir e sem comer: “Toquei quase três dias direto. Não conseguia sentir fome, pois achava que tudo ia me embrulhar”, detalhou, finalizando: “A tragédia é um bicho que se manda, a gente vai pra onde ela nos mandar”.

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