Passou quase em branco o 172º aniversário da Assembléia Legislativa, ontem. Poucos parlamentares prestigiaram a sessão solene que homenageava a data, e nela acabou se destacando o deputado Alceu Moreira (PMDB), autor de um discurso sobre o papel da mídia e do parlamento, como garantia da democracia e do controle social dos poderes pela população. O deputado, que há cerca de dois anos esteve nas manchetes por suposições de envolvimento em um caso de favorecimento ilícito – caso arquivado pelo Ministério Público por inexistência de qualquer evidência, mas que lhe causou prejuízos à imagem e perda de votos na eleição de 2006 – destacou a liberdade de imprensa como fundamental.
Moreira afirmou que “se no âmbito do sistema político, o voto e o mandato são os limites mínimos, no âmbito da sociedade esse limite é o da liberdade de imprensa”. E complementou: “Quando qualquer um desses limites é restringido ou ultrapassado, a estabilidade democrática fica gravemente ferida”. O deputado peemedebista disse que, pelo grave papel que desempenha a mídia neste contexto, precisa ter cuidado na exposição indiscriminada do parlamento, pois, segundo ele, “as mazelas políticas atuais não são piores nem mais numerosas do que há 30 anos, a diferença é que hoje exercemos o direito de sabê-las e de condená-las. A imprensa cumpre o papel que tem que cumprir”. E completou: “É melhor que se exceda do que fique amordaçada, mas o jornalista não pode esquecer que quase tão ruim quanto uma ditadura explícita, é um parlamento degradado e fraco, cenário em que tiranos populistas, na pele de democratas libertários, cometem toda ordem de autoritarismo, sob o manto de um aparente Estado de Direito, inclusive o de censurar a imprensa”.

