Após embate com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), o ex-deputado federal e vencedor do BBB5, Jean Wyllys (PT-RJ), corre o risco de não ser chamado para integrar a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O político havia sido cotado pelo Governo Federal para um cargo na Secretaria de Comunicação Social (Secom) – chefiada pelo gaúcho Paulo Pimenta – após retornar, a pedido de Lula, de um autoexílio na Europa.
Em 6 de junho, Wyllys se encontrou com Lula em Brasília. Na ocasião, ele teria recebido um convite do próprio presidente para atuar em sua equipe de Comunicação. A sugestão teria vindo da primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, segundo o portal UOL.
Contudo, em 14 de julho, Wyllys entrou em uma discussão com Leite no Twitter, após este anunciar que o Rio Grande do Sul não aderiria ao plano do Governo Federal de, gradualmente, fechar as escolas cívico-militares criadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-deputado escreveu que esperava essa atitude por parte de “governadores heteros de direita e extrema-direita”, mas não de um mandatário assumidamente homossexual, como o gaúcho. “Se bem que gays com homofobia internalizada em geral desenvolvem libido e fetiches em relação ao autoritarismo e aos uniformes; se for branco e rico então… Tá feio, bee!”, disparou.
Após o ocorrido, Leite comunicou no Twitter, em 20 de julho, que entrou com uma representação no Ministério Público (MP) contra Wyllys. “Não interessa se é da direita ou da esquerda. Não interessa a cor da bandeira que carrega. O que importa é que homofobia, preconceito, discriminação não podem ser tolerados”, diz o governador no vídeo que acompanhou o anúncio do processo.
Por conta disso, questionou-se se o Governo Federal estaria disposto a prejudicar sua relação com o Rio Grande do Sul em prol do aliado. Contudo, Paulo Pimenta, ministro-chefe da Secom, negou que houvesse qualquer confirmação de Wyllys na pasta. “Nunca houve promessa”, explicou o gaúcho, alegando que prometer um cargo “é uma coisa meio vaga”.
Estada na Europa
Jean Wyllys deixou o País em 2019, durante o primeiro mês de mandato de Bolsonaro. Ele viveu, por um tempo, em Berlim, capital da Alemanha, mas, recentemente, morava em Barcelona, na Espanha. Durante esses anos, o ex-deputado – formado em Jornalismo – iniciou um doutorado sobre ‘A articulação das fake news com discursos de ódio e os impactos desses discursos nos processos eleitorais e modo de vida das minorias’.

