O jornalismo na internet foi um dos principais temas debatidos no primeiro dia da 26ª Conferência Anual da ONO (Organization of News Ombudsmen, ou Organização de Ombudsmans de Notícias), promovida em São Paulo e organizada pela Folha de S. Paulo. O evento, que será realizado até esta quarta-feira, conta com a participação de 40 representantes de 12 países. Pela primeira vez, é realizado em um país da América Latina.
No painel “Ética Jornalística na Era de Internet”, o professor de Ética Jornalística da Washington and Lee University, dos Estados Unidos, Edward Wasserman, apresentou exemplos teóricos e práticos sobre as implicações da velocidade e abrangência da internet. O jornalismo eletrônico coloca uma série de desafios e oportunidades para a atividade. O fundamental, porém, seria preservar padrões éticos e de confiabilidade no jornalismo, hoje ameaçados pela velocidade e “voracidade” da internet. Para Wasserman, a “distribuição instantânea” de informações levanta questões sobre se uma notícia “está pronta ou não”, do ponto de vista de sua veracidade, para ser publicada.
Outros dois pontos questionados pelo professor são o acesso “universal” a todas as informações que são colocadas na rede, precisas ou incorretas, e sua durabilidade. Acessadas por meio de programas de busca, informações não-precisas podem se perpetuar na rede e gerar novos erros. Para Wasserman, ainda não existem mecanismos seguros de correção ou meios de evitar a disseminação de informações imprecisas. O professor destacou ainda o fato de jornalistas terem em mãos hoje um “poderoso instrumento” de propagação de informações, como os blogs, sem depender necessariamente de uma grande empresa jornalística. Um exemplo é o caso do blog norte-americano de Matt Drudge. Ele vazou em primeira mão que a revista “Newsweek” teria escrito e não publicado reportagem sobre o caso entre o ex-presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinsky. O escândalo chegou a ameaçar Clinton de impeachment, em 1999.
Em outro painel, Germán Rey, ex-ombudsman do diário colombiano “El Tiempo” e professor da Universidad de los Andes, falou sobre a situação do jornalismo na América Latina. Os baixos níveis de circulação dos jornais impressos latino-americanos comparados aos de países mais avançados surpreenderam os participantes do encontro. Rey afirmou que os 213 milhões de pobres na América Latina e um PIB per capita médio quase 10 vezes inferior na comparação com os EUA explicam esse quadro, assim como a predominância da TV e do rádio como meios de comunicação de massa na região.

