Repórter da Band RS, Enildo Paulo Pereira, mais conhecido como Paulão, teve sua história marcada pelo jeito polêmico e despojado de tratar de assuntos policiais. Apresentador do programa Polícia em Ação, exibido pelo Canal 20, ele ficou marcado por bater um chinelo na mesa enquanto falava de bandidos, além da maneira irônica de entrevistar pessoas presas ou abordadas pela polícia. Os bordões usados na atração também serviram de marca para o jornalista, como ‘mentiu pro tio, contou pro vô, a casa caiu, a cobra fumou’, ‘agora vai fazer cursinho de canário’ e ‘lugar de chinelo é na cadeia’.
Paulão começou a carreira na Rádio Tramandaí, passando pelas emissoras Horizonte, de Capão da Canoa, e Cultura, de Rio Grande. Foi assessor da prefeitura de Tramandaí, na gestão de Eliseu Padilha (1989-1992), além de trabalhar no Jornal dos Cultos Afro-brasileiros, o Jocab. Em 1997, estreou na TV e, mesmo denunciando ações ilegais ou criminosas, o jornalista não se intitulava um jornalista investigativo. “A investigação criminal foi feita para a polícia, não foi feita para o jornalista. O jornalista tem por obrigação divulgar para a sociedade os fatos, sem maquiá-los”, analisou Paulão em entrevista ao portal Vozes do Rádio, da Famecos, publicada em 2008.
Apesar das críticas pela forma como conduzia suas entrevistas, ele defendia-se explicando que só falava com presos que já haviam sido anteriormente fichados pela polícia. E sempre assegurava nunca ter sofrido processo judicial em decorrência de sua forma de entrevistar. Chegou a tentar, por duas vezes, a carreira política, candidatando-se para vereador de Porto Alegre em 2004 e 2008, pelo PTB, mas não teve sucesso em nenhuma delas. Na segunda tentativa, teve o registro negado por dupla filiação e atraso na prestação de contas de outra campanha.
Nascido na Vila Maria da Conceição em 3 de outubro de 1952, Paulão era separado e tinha filhos.


