Paulo Sérgio Pinto defendeu maior protagonismo para os candidatos a vice-governador nos debates eleitorais. Mediador do encontro promovido pela Rede Pampa na última quinta-feira, 10, o comunicador afirmou ao Coletiva.net que os postulantes ao cargo costumam ser “escanteados” durante as campanhas, embora possam assumir funções centrais na gestão e até mesmo o comando do Estado.
A entrevista foi concedida pouco antes de Paulo Sérgio entrar no estúdio para conduzir o debate entre Cláudio Diaz (PSDB), Edegar Pretto (PT), Ernani Polo (PSD) e Silvana Covatti (PP). Para ele, um encontro dedicado aos vices permite que o eleitor conheça uma parte da chapa que normalmente recebe menos espaço durante o período eleitoral.
“O vice-governador é uma pessoa escanteada no processo eleitoral, mas a importância dele é enorme, até porque, por diferentes razões, pode se tornar governador. Isso já aconteceu várias vezes”, ressaltou.
Um cargo que pode ganhar protagonismo
Paulo Sérgio lembrou que o vice participa do cotidiano do governo, substitui o titular em diferentes ocasiões e pode assumir definitivamente o Palácio Piratini. Também é comum que receba outras atribuições e passe a comandar áreas estratégicas da administração estadual.
“Muitos, além de vice-governadores, são encaminhados para algumas das secretarias mais importantes, como Desenvolvimento ou Agricultura. Então, nós temos que estar atentos ao que eles pensam”, afirmou.
Segundo o mediador, as posições do vice devem estar alinhadas ao projeto defendido pela cabeça de chapa e ao governo que ambos pretendem construir. Por isso, ouvir esses candidatos ajuda o público a avaliar de maneira mais completa as opções disponíveis na eleição.
“Não é só o governador. A gente precisa conhecer o complemento, e o maior complemento que um governador tem é o seu vice-governador”, declarou.
Debate como fonte de informação
Na avaliação de Paulo Sérgio, os debates cumprem o papel de apresentar projetos e oferecer elementos para que o eleitor compare os candidatos antes de decidir o voto. Essa responsabilidade, segundo ele, também torna importante a presença dos concorrentes nos encontros organizados pelos veículos de comunicação.
“Dentro de um processo democrático, a coisa mais importante é a eleição, é o voto. E, dentro do processo eleitoral, a coisa mais importante é a informação, a apresentação de projetos e a oportunidade de o telespectador ter condições de escolher melhor o seu candidato”, disse.
Embora reconheça que ninguém possa ser obrigado a participar, o comunicador criticou candidatos que deixam de comparecer, especialmente aos debates promovidos pelos principais veículos. Para ele, esses compromissos devem entrar no planejamento das campanhas desde a definição do calendário eleitoral.
“Fico chateado pelo eleitor, em primeiro lugar, e pelo próprio candidato, que não entende essas coisas. Os profissionais de Marketing jamais deveriam aconselhar um candidato a não participar de um debate, especialmente quando promovido por um grande veículo”, pontuou.
Tranquilidade antes da transmissão
Com décadas de experiência em coberturas eleitorais, Paulo Sérgio demonstrava tranquilidade antes do início do programa. Ele atribuiu o sentimento tanto à familiaridade com os participantes da política gaúcha quanto ao trabalho realizado pela equipe da emissora. “Eu sou do tempo em que acabava fazendo o roteiro, fazendo tudo. Hoje, chegar aqui e encontrar as coisas prontas é uma delícia”, comentou.
Entre as responsabilidades de quem conduz o encontro, Paulo Sérgio apontou a análise dos pedidos de direito de resposta como um dos momentos que exigem maior atenção. “O pedido tem que acontecer quando existe ofensa pessoal. Não existindo ofensa pessoal, não há direito de resposta”, explicou.
Felizmente, no debate entre os candidatos a vice-governador, nenhum pedido foi necessário. Ao final da transmissão, o mediador elogiou os quatro participantes pelo confronto educado e democrático.

