Com o objetivo de identificar o nível de credibilidade dos noticiários na visão dos brasileiros, o PoderData abriu os trabalhos de 2022 com uma pesquisa sobre a confiança na imprensa. Foi apurado que apenas uma parcela de 21% acredita que as informações divulgadas na mídia são ‘muito confiáveis’, enquanto outros 23% consideram ‘pouco confiáveis’. A maior parcela, de 43%, julga como ‘mais ou menos’ e outros 8% acham que o jornalismo não é ‘nem um pouco confiável’.
A pesquisa foi realizada entre 2 e 4 de janeiro, por meio de ligações telefônicas que ouviram 3.000 entrevistados residentes de 501 municípios de todos os estados do País. Os dados obtidos não são muito diferentes do mesmo levantamento que foi realizado há pouco mais de um ano.
Em comparação com a consulta realizada entre 21 e 23 de dezembro de 2020, houve queda de 7 pontos percentuais no índice do ‘mais ou menos’, o que demonstra um maior posicionamento da população. Todas as outras categorias tiveram variação de 2% na margem de erro.
Entidades se posicionam
Procurados pela reportagem de Coletiva.net, representantes da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) se manifestaram em relação aos dados apresentados.
Vera Daisy Barcellos, presidente do Sindjors, acredita que, apesar do indicador daqueles que ‘confiam muito’ na imprensa ser de apenas 21%, ele pode ser olhado ao lado do índice de 43% daqueles que a julgam ‘mais ou menos’, pois “ainda são cidadãos que mantém certo grau de segurança em relação às informações recebidas”.
A jornalista destacou o trabalho das empresas de Comunicação e seus profissionais em relação ao cuidado com a saúde, promovendo a vacinação e a testagem. “Independente desse indicador, a imprensa continua cumprindo com seu papel de informar e estamos observando que, graças à imprensa, independente se ela corresponde aquilo que almejamos, as pessoas estão buscando as vacinas e os testes. Isso é o ponto principal”, afirmou.
Para o presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), José Nunes, a queda na confiança em relação à Imprensa pode ser também mais um reflexo de sociedades polarizadas, caso da brasileira, onde as pessoas priorizam ouvir, ler e compartilhar pontos de vista semelhantes aos seus. Em caso de conteúdos que contrariam os seus pensamentos, passam a questionar.
Entretanto, Nunes também enxerga que, por outro lado, sabem que durante a pandemia as pesquisas apontam uma maior confiança em relação às reportagens publicadas pelos veículos de grande mídia. Isso porque “muitas pessoas analisam a Imprensa como o conjunto de tudo que é publicado, incluindo as mídias sociais, onde se sabe que existe uma proliferação de notícias falsas ou distorcidas e que acabam representando papel importante na queda da confiança em relação ao jornalismo em geral”. Ele ressaltou ainda que vivemos em meio a uma crise que traz reflexos e reflexões são necessárias.


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