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Petrópolis: “A cobertura mais difícil que já fiz até hoje”, diz repórter Paloma Poeta

Paloma Poeta foi a única jornalista  mulher de origem gaúcha a cobrir a tragédia que assolou, há uma semana, Petrópolis, na Serra Carioca. Procurada por Coletiva.net, a repórter da Record TV do Rio de Janeiro passou quatro dias na cidade para produzir material para o ‘Domingo Espetacular’. Na entrevista exclusiva a seguir, ela fala sobre a cobertura, a qual considera ser a mais difícil que fez até hoje. 

Prestes a completar um ano morando no Rio de Janeiro, Paloma sabia que, ao ser designada para acompanhar o trabalho de resgate dos bombeiros em Petrópolis, absorveria muito de cada história que ouvisse ao longo dos dias. “Acho que a gente nunca está preparado para tamanha tristeza. E isso é positivo, ainda que exija muito do emocional: saber se sensibilizar faz com que se possa desempenhar um trabalho com respeito e humanidade”, contou. 

Ela falou que não se permite sofrer durante a cobertura, mas quando chega em casa, levou alguns dias para assimilar tudo que viu e viveu. A repórter destacou ainda que estar com uma equipe pronta para o trabalho, competente, esforçada e com uma base forte na redação no Rio dando todo suporte fez toda diferença. 

“Tragédia por todo lado”

Mesmo depois de se despedir da cidade e voltar para casa, ela guardou  na memória momentos marcantes da cobertura, como a cena de um rapaz tirando a avó da lama, chorando de forma desesperadora por alguns minutos e então voltando para ajudar a procurar mais gente. “Acho que chorei em todas as entrevistas, e quando olhava para a equipe, via os olhos deles cheios de lágrimas também. É tragédia por todo lado.”

Paloma contou que cada relato a exigiu muito emocionalmente: “Não me esqueço do homem que perdeu a esposa, dizendo que se despediu dela prometendo fazer do filho deles de seis anos um grande homem, me derrubou”, desabafou. Por todas essas lembranças, Petrópolis foi a cobertura mais difícil da qual participou até hoje. 

Até então, acompanhar o Caso Bernardo havia marcado Paloma de forma exaustiva física e emocionalmente. “Entrar na Boate Kiss também não foi fácil, mesmo anos depois da tragédia”, relembrou. 

Empatia e solidariedade

Ao ser questionada sobre como é o clima entre os demais colegas de imprensa, ela foi taxativa: “Estamos todos na mesma missão e passando pelas mesmas dificuldades. Lá era um ajudando o outro na lama, apontando onde é seguro ir, compartilhando informações”, reconheceu. Ela garantiu que o clima era de empatia e solidariedade, independente do veículo. E mais uma vez, valorizou os colegas de emissora que estavam ao lado dela nas gravações: “A equipe que me acompanhou também fez toda diferença para conseguir desempenhar uma missão tão triste e difícil”, agradeceu. 

Em uma cobertura sobre e uma tragédia nas proporções de Petrópolis, muitas são as dificuldades pelas quais os repórteres passam, como comer ou ir ao banheiro.  “A gente começou a trabalhar e não pensou em mais nada. Ligamos a câmera e não paramos mais. Qualquer necessidade fisiológica se tornou secundária”, observou. 

Graduada em Jornalismo pela PUCRS, Paloma Poeta está há sete anos no Grupo Record. Anteriormente, teve passagem pela Band TV e pelo Grupo RBS. Na Record RS, por seis anos foi repórter,apresentou um quadro de esportes e assumiu o comando do ‘Rio Grande no Ar’ e ‘Rio Grande Record’ durante as férias dos apresentadores. Em março de 2021, foi transferida para o Rio de Janeiro como repórter do ‘Jornal da Record’ e ‘Domingo Espetacular’. Lá, apresentou interinamente o ‘Fala Brasil’ de sábado e, atualmente, integra a escala de apresentação da previsão do tempo do ‘Jornal da Record’, aos sábados. 

Hoje, 22, completa uma semana que a cidade de Petrópolis foi devastada por uma forte chuva. Até o momento desta publicação, foram contabilizados 183 mortes e mais de 80 pessoas desaparecidas. Coletiva.net acompanha o trabalho dos gaúchos que mostram ao Brasil a dimensão desta tragédia. Confira as entrevistas de Flávio Fachel, do repórter da rádio Gaúcha, Eduardo Matos, que era o único jornalista de uma emissora do Rio Grande do Sul acompanhando os desdobramentos na cidade. Amanhã, o entrevistado será o repórter da Globo News, Mateus Marques. 

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