O jornalista Políbio Braga acionará a Justiça para pedir explicações sobre a reportagem publicada pelo jornal Zero Hora nesta quinta-feira, 11, que, segundo ele, dá a entender que estaria “plantando matérias em troca de favores”. Políbio garantiu que entrará ainda hoje com uma interpelação judicial (pedido de esclarecimento feito via citação ou notificação judicial) contra o diretor de Redação do veículo, Ricardo Stefanelli, e a repórter da editoria de Política Adriana Irion.
Na matéria, a repórter Adriana Irion relata que, ao grampear os telefones de suspeitos de desvios em verbas na Grande Porto Alegre, a Polícia Federal (PF) gravou um dos investigados, o secretário-geral de Governo de Canoas, Francisco Fraga, recebendo do coronel Paulo Roberto Mendes um pedido de apoio para assumir o comando da Brigada Militar. Na época, Mendes era subcomandante da corporação, e Chico Fraga, um dos 39 indiciados pela PF em outro inquérito, o da Operação Rodin.
O texto traz um trecho do relatório em que a PF analisa os diálogos gravados: “Assim, no intuito de fortalecer seu nome, Mendes solicitou a Chico Fraga que fizesse articulações com algumas pessoas que pudessem influenciar na decisão da chefe do Executivo. Nesse sentido, solicitou o militar que Chico Fraga pleiteasse ao jornalista Políbio Braga a produção de matéria relacionada à invasão da fazenda Southall, aduzindo que o MST somente teria logrado êxito em função da ausência de Mendes”. Em seguida, a reportagem acrescenta: “Um dos diálogos interceptados é entre Fraga e uma pessoa que supostamente poderia influenciar o jornalista Políbio Braga. Fraga sugere a publicação de nota afirmando que a invasão da fazenda só ocorreu porque Mendes não estava atuando naquele dia, 14 de abril. A nota foi publicada”.
Políbio, que também é colunista do jornal O Sul, conta que, após a publicação desta nota, passou a receber inúmeros e-mails de leitores, com críticas e ofensas. “ZH tentou fazer uma ligação espúria entre minha atividade e a prefeitura de Canoas. Isso afeta a atividade básica de qualquer jornalista, que é trabalhar em cima de sua credibilidade”, disse. Em seu blog, o jornalista afirmou que a reportagem “parece demonstrar que o governo age em função do que os jornalistas escrevem” e definiu a matéria de Adriana como “futrica de jornalismo marrom, inconsistente e que sonega dados fundamentais sobre o episódio”.
Segundo o site do Ministério Público, a resposta à interpelação judicial não é obrigatória. Se Ricardo e Adriane não atenderem à interpelação, Políbio, o interpelante, pode, com essa negativa, tirar suas próprias conclusões. A interpelação funciona como uma medida preparatória para uma ação judicial mais efetiva. Dependendo da resposta – ou da falta dela –, ele pode acionar o Judiciário com uma medida mais eficaz. Nesse caso, Políbio prometeu que apresentará uma ação por calúnia, injúria e difamação.

