A censura judicial imposta a 84 veículos de imprensa do País pelo desembargador Liberato Póvoa, do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), representa o “enlouquecimento” de setores da Justiça, na opinião do professor de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) Eugênio Bucci. Bucci, que de janeiro de 2003 a abril de 2004 dirigiu a Radiobras, estatal do governo federal, considera que este tipo de censura “é um absurdo do ponto de vista jurídico, da lógica, da política”. Em entrevista à Agência Estado, ele pergunta, enfático: “O que impede que amanhã toda a imprensa seja vítima da mesma censura?”.
Em Tocantins, a Polícia Federal teve de ser acionada na madrugada deste domingo, 26, para garantir a distribuição dos 8 mil exemplares da revista Veja no Estado. Para tentar impedir que a publicação chegasse às bancas, o governo do Estado mobilizou efetivo de 30 policiais militares. Armados de fuzis, os PMs ficaram de prontidão no Aeroporto de Palmas à espera do voo que levava a revista. Os PMs tinham a missão de localizar e apreender os exemplares de Veja. A revista, no entanto, não faz parte da lista de veículos de comunicação censurados pela liminar do desembargador Liberato Póvoa. Acionado na madrugada, o procurador da República Álvaro Lotufo Manzano requisitou apoio da PF para escoltar o carregamento do aeroporto até a distribuidora da revista em Palmas.

