Preservar os fundamentos e os métodos do Jornalismo tradicional são a chave para o futuro do setor. A afirmação foi dada pelo diretor-executivo da CBN, Ricardo Gandour, durante a décima edição do Em Pauta ZH, promovida pelo Grupo RBS. No encontro, que ocorreu na noite desta quarta-feira, 14, no Salão Nobre da empresa, Gandour mostrou os resultados da pesquisa “O futuro do Jornalismo pós-redes sociais: como a fragmentação digital impacta o novo ambiente da informação”, que realizou na Columbia Journalism School (EUA).
Na presença de cerca de 60 pessoas, entre colaboradores da empresa de mídia, universitários e alguns convidados, o diretor-executivo da CBN defendeu que o jornal impresso não se extinguirá, e que os veículos acabam se reinventando. “O Jornalismo precisa se sistematizar mais, dar mais valor à academia, pois eu acredito que uma boa hipótese é melhor do que uma conclusão premeditada”, declarou.
Sobre o uso das redes sociais como fonte de informação, Gandour falou que é comprovado empiricamente que essas ferramentas se alimentam do jornalismo tradicional, feito pelas grandes empresas de comunicação. “As redes sociais somente replicam a informação previamente fornecida pelas empresas de mídia. E quando o leitor fica em dúvida sobre algum tema, ele busca a comprovação direto na fonte confiável”, explicou.
Checagem de informação, entrevistas com diversas fontes e cruzamento de dados são os métodos que precisam ser mantidos pelos profissionais de imprensa, na visão do editor-executivo. “Esse método não pode acabar, pois é nisso que a notícia e a informação se baseiam”, completou. Para Gandour, o futuro do Jornalismo está em se criar uma audiência qualificada que aceite investir na informação, de forma a monetizar os meios de comunicação. “Se as marcas mantiverem seu status de credibilidade, certamente haverá um grupo de pessoas que investirá e não se importará de pagar uma taxa para ler notícias”, constatou. Ele acrescentou que, de acordo com estudos norte-americanos, os leitores estão dispostos a pagar entre US$ 5 e US$ 15 por mês para acessar conteúdo.

