Durante o telejornal ‘Band Cidade’ desta quarta-feira, 12, foi revelado que o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., não concederá mais entrevistas para os veículos e jornalistas da Band RS. E a decisão se estende para os secretários e gestores que compõem a equipe da Prefeitura. De acordo com o editorial do grupo de comunicação, lido por Sérgio Stock, a decisão do político é “andar de mãos dadas com a censura”.
Na fala de Lúcia Mattos, que faz dupla com Stock na apresentação do ‘Band Cidade’, a jornalista destaca que a decisão do prefeito “ocorre em meio à uma pandemia que já contaminou mais de 10 mil pessoas e matou quase 500 moradores da cidade e que deixa os ouvintes e telespectadores da Band sem as informações oficiais da Prefeitura”.
Durante o telejornal, foi revelado que, há quase um mês, o prefeito vem se negando a participar de programas de rádio e televisão da Band RS — a última entrevista foi concedida em 13 de julho, no programa ‘Happy Hour’, da BandNews FM. “De lá para cá, foram vários pedidos de entrevista para a assessoria de imprensa, mas o chefe do Executivo municipal se nega, embora siga falando para outros veículos da capital gaúcha”, explica a reportagem. Nesta semana, de acordo com o telejornal, a assessoria de Marchezan respondeu ao grupo, via WhatsApp: “Sem dar entrevista à Band. Nem prefeito, nem gestores”. Em outra mensagem revelada, é dito que a posição também vale para os gestores.
No editorial lido por Stock no programa, que reflete a opinião do Grupo Bandeirantes de Comunicação, foi ressaltado que a decisão de Marchezan Jr. “fere a isonomia de tratamento aos veículos de comunicação: beneficia uns, tenta prejudicar outros”. No texto, a emissora reforça que “escreveu a sua história defendendo a liberdade de expressão e a democracia e que não se rende à pressão e nem se submete a caprichos de um gestor público que não sabe conviver com o contraditório”.
No posicionamento do grupo de comunicação, consta que “o prefeito sonega da sociedade e dos ouvintes e telespectadores da emissora o acesso a informações relevantes”. Em outro ponto do discurso, Stock fala: “Estabelecer este tipo de greve, postura típica daqueles que não aceitam ser cobrados, é andar de mãos dadas com a censura”. Além disso, o editorial ainda reforça que o veículo abriu espaço comercial e editorial para a Prefeitura, no começo da pandemia, além de criar um projeto para um hospital de campanha na Capital, o qual foi aceito pelo prefeito, mas, depois, “inexplicavelmente, rejeitado”.
Coletiva.net entrou em contato com a Prefeitura de Porto Alegre, por meio de sua assessoria. Porém, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta sobre a decisão de não dar mais entrevistas para o Grupo Bandeirantes.
Confira, na íntegra, o editorial da Band RS:
Ao decidir que não concederá mais entrevistas ao Grupo Bandeirantes e, agora, ao determinar que seus secretários e todos os gestores do poder municipal tenham a mesma atitude, o prefeito Nelson Marchezan Jr. fere a isonomia de tratamento aos veículos de comunicação, beneficia uns, tenta prejudicar outros. Jornalismo não se faz assim, senhor prefeito. Ainda mais para um grupo de 83 anos, que escreveu a sua história defendendo a liberdade de expressão e a democracia e que não se rende à pressão e nem se submete a caprichos de um gestor público que não sabe conviver com o contraditório.
O senhor teve a oportunidade, de aprender em casa, com o seu pai, o respeitado ex-deputado federal Nelson Marchezan, de muitos serviços prestados ao País, que político tem, sim, o dever de explicar publicamente os seus atos. É o ônus do cargo e o senhor deveria saber disso. O prefeito Nelson Marchezan Jr. prefere se esquivar de prestar contas e, com esta medida, que em nada contribui para o melhor funcionamento da cidade, ele não atinge somente a Bandeirantes. O prefeito sonega da sociedade e dos ouvintes e telespectadores da emissora o acesso a informações relevantes e faz isso em plena pandemia.
Prefeito Marchezan, se o senhor teme pelas explicações públicas em tempos tão difíceis, poderia escalar alguém, preparado, ao menos, para se comunicar com a sociedade. E, talvez, assim, explicar a sua impressionante capacidade política de destruir relações e inviabilizar a cidade.
Estabelecer este tipo de greve, postura típica daqueles que não aceitam ser cobrados, é andar de mãos dadas com a censura. O grupo de comunicação que o prefeito tenta censurar, através desta atitude descabida, é o mesmo que, no dia 25 de março, oficializou à Prefeitura a abertura de seus espaços comerciais e editoriais para angariar doações à cidade de Porto Alegre no combate à pandemia. A Band, inclusive, apresentou um projeto para montagem de um hospital de campanha na cidade, o que foi aceito em um primeiro momento e, depois, inexplicavelmente, rejeitado pelo prefeito.
A Band continuará exercendo o seu jornalismo, de isenção editorial, da busca pela verdade e tentando sempre ouvir todos os lados da notícia. Não será esta decisão pequena do prefeito de Porto Alegre que irá alterar a linha editorial do grupo, seja para elogiar ou para criticar e corrigir. Os nossos espaços permanecem abertos e o nosso jornalismo, vigilante. Esta é a opinião do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

