“Que país é este, o dos líderes publicitários”, questiona o colunista Luiz Alberto Marinho, do site Blue Bus, ao analisar os debates e projeções feitos na semana passada em São Paulo, durante a realização do Maximídia 2005. Marinho lembra que palestrantes chamaram a atenção para questões que estão transformando profundamente o negócio da propaganda, como a consolidação das agências em grandes corporações geridas por empresários e não publicitários, a proliferação de novas mídias, a necessidade da integração entre meios e a dissolução da linha que separava a propaganda das demais disciplinas. Relembra afirmações de Joe Cappo, jornalista da Advertising Age, para quem o Brasil não vai conseguir adiar por muito tempo a entrada das centrais de compra de mídia por causa da pressão dos anunciantes multinacionais.
Marinho questiona o fato de que, durante esta palestra, publicitários brasileiros que atuaram como debatedores se limitaram a minimizar os problemas apontados por Joe, preferindo elogiar a publicidade brasileira. E registra que, em outro debate com anunciantes, presidentes de agências clamaram pela ética nos negócios, mas recusaram-se a questionar a legitimidade das BVs e defenderam teses contraditórias, como a de que os anunciantes não deviam aceitar viagens pagas pelos veículos, mas que as agências podiam fazê-lo porque têm com eles uma “relação diferente”.

