As rádios que têm sua programação de informação e música voltada a adolescentes e jovens têm a função de traduzir, de maneira responsável e cuidadosa, as novidades de um mundo em constante transformação. Esse foi o consenso a que chegaram os debatedores da edição de março do Meeting do Marketing da Federasul. Com a mediação do publicitário Miltinho Talaveira, Marcelo Ferla, gerente da Ipanema FM, Eduardo Santos, diretor de conteúdo da rádio Pop Rock, e Alexandre Fetter, diretor artístico das redes Atlântida e Itapema, falaram sobre o tema “Venha ouvir quem entende do público jovem”.
Fetter ressaltou que a dificuldade em lidar com o jovem reside em sua constante transformação. “É impossível prever o que eles irão consumir ou que música irão ouvir em um período de dois ou três meses”, observou. Na opinião de Marcelo Ferla, essa característica sempre permeou a juventude ao longo do tempo, mas atualmente, é ainda mais importante garantir que os novos conhecimentos sejam transmitidos com clareza e honestidade. “Estamos formando pessoas e precisamos ter em mente que temos a capacidade de moldar opiniões e até de mudar vidas. É preciso ter cuidado com o que se diz a eles”, alertou.
Eduardo Santos reforçou o ponto de vista dos colegas. “Fazer rádio para o jovem deve oferecer possibilidades que acrescentem algo à sua vida. Por ser o veículo mais democrático, o rádio já serviu, muitas vezes, como “literatura” a diferentes gerações. Chico Buarque, Legião Urbana e Racionais MC”s foram parte da formação intelectual de muita gente”, teorizou.
Nesse sentido, os executivos apontaram a mudança das programações das rádios em função do crescimento de formatos como o MP3 e as rádios na internet. “Existem emissoras que estão simplesmente tirando os programas musicais de sua grade e substituindo pelo debate sobre todos os tipos de assuntos”, disse Alexandre Fetter. Segundo ele, a audiência passou a cair durante as horas de música, enquanto começa a atingir níveis expressivos durante programas de humor, esportivos e outros. Já para Eduardo Santos, é importante que as rádios não lutem contra as novas tendências e sim as complementem. “Uma rádio antenada pode mostrar ao jovem as novidades que ele poderá baixar para o seu celular ou iPod”, disse.

