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RBS rechaça matéria da IstoÉ Dinheiro

Reportagem de capa da revista descreve plano do grupo de criar operadora virtual de telefonia celular

A revista IstoÉ Dinheiro desta semana publica matéria com encarte na capa sobre o plano do Grupo RBS, que prevê a entrada da empresa num novo nicho de atuação: o de telefonia celular. Nos três estados do Sul, esse mercado já é muito disputado e atendido pelas gigantes Vivo, TIM e Claro. A diferença, agora, é que a RBS não seria apenas mais uma operadora, no sentido tradicional. Seria uma “operadora virtual”, que compraria pacotes de minutos das telefônicas e revenderia, com uma marca própria, aos seus clientes. O plano MVNO (Mobile Virtual Network Operator) da RBS, que vinha sendo mantido em absoluto sigilo, foi obtido com exclusividade pela revista.

Procurados pela Dinheiro, Sirotsky e Parente preferiram não comentar nada sobre o projeto, mas não negaram a informação. Em nota à imprensa divulgada apenas no site institucional do grupo no dia 18 de setembro, a reportagem é rechaçada.

O modelo MVNO já foi testado em várias partes do mundo, mas o grande exemplo de sucesso é o da Virgin Mobile, criada em 1999 pelo bilionário inglês Richard Branson. Hoje, a empresa tem cinco milhões de clientes no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Austrália e na África do Sul e já foi apontada várias vezes nesses países como a marca mais admirada no mercado de telefonia celular, mesmo sem jamais ter investido uma única libra em infra-estrutura de rede. Além disso, como a Virgin é também uma gravadora, ela tem facilidade para disponibilizar, em primeira mão, uma série de ringtones musicais aos seus clientes.

Na prática, segundo a reportagem da Dinheiro, o plano da RBS representaria a volta do grupo gaúcho à área de telefonia. Em junho de 1998, quando a Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações (CRT) foi privatizada, a RBS uniu-se à Telefônica e participou do consórcio vencedor. Meses depois, quando veio a privatização do Sistema Telebrás, a RBS pretendia oferecer um lance pela Brasil Telecom, mas foi traída pela decisão da Telefônica de adquirir a Telesp, o que fez com que a própria participação na CRT acabasse sendo vendida. Todos esses movimentos eram decorrentes da intuição da família Sirotsky de que haveria uma forte convergência entre mídia e telefonia celular. Pedro Parente, que conduziu algumas privatizações no governo FHC e chegou à RBS em 2003, também tem sido um entusiasta da idéia. Agora, depois de um forte crescimento do grupo, que viu o faturamento saltar de R$ 538 milhões para R$ 860 milhões entre 2002 e 2005, o projeto de entrar com tudo na telefonia finalmente amadureceu.

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