Nesta quarta-feira, 17, em meio a uma reestruturação, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) passou por mudanças na equipe. Conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU), a jornalista Cida Matos é a nova diretora de Jornalismo. Por sua vez, Flávia Filipini assumiu a recém-criada Superintendência de Serviços de Comunicação.
Em nota encaminhada à imprensa, a direção da EBC esclareceu que a decisão de nomear Flávia para a superintendência foi tomada há, pelo menos, dois meses e já havia sido anunciada internamente para os demais colaboradores. Contudo, a oficialização precisou aguardar a reestruturação organizacional da Empresa, anunciada em 2 de maio. Da mesma maneira, o novo cargo de Cida também já era de conhecimento da equipe.
Reestruturação
Conforme documento da EBC, a reestruturação tem o objetivo de “atender à necessidade de separar de forma transparente a produção de conteúdos e os veículos de Comunicação pública dos serviços governamentais”. Porém, a movimentação tem gerado incômodo nos sindicatos da categoria, que acusam o governo de “desmonte”, por tirar cargos de Jornalismo para reforçar o setor de Comunicação Institucional – voltado a divulgar ações da gestão.
Em comunicado enviado ao ministro Paulo Pimenta, da Secretaria de Comunicação Social (Secom), e em reunião com a direção da EBC, representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e dos Sindicatos de Jornalistas e de Radialistas do Distrito Federal, do Rio de Janeiro e de São Paulo lamentaram não terem sido ouvidos antes da reestruturação. As entidades ainda destacaram que as mudanças criam diversos gargalos no Jornalismo e mostram a prioridade para a Comunicação Estatal.
Assédio moral
Outra polêmica recente envolve uma acusação de assédio moral contra Flávia por parte do repórter Gésio Passos, da Rádio Nacional, que também é diretor de um sindicato. Em nota, as mesmas entidades sindicais classificaram a atitude “prática antissindical explícita” e “uma grave ação de assédio de uma diretora contra um empregado da empresa pública”. Por sua vez, a superintendente negou as acusações.
Confira a nota da Fenaj e dos sindicatos:
Os sindicatos de jornalistas e radialistas abaixo relacionados, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão de Empregados/as da EBC repudiam veementemente as agressões verbais e o assédio moral sofrido pelo diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), Gésio Passos, nesta terça-feira (9), na sede da EBC, em Brasília (DF).
A diretora de Jornalismo e futura superintendente de Serviços de Governo da EBC, Flavia Filipini, proferiu uma série de agressões verbais e assediou o jornalista e dirigente sindical em plena redação da empresa, na presença de dezenas de testemunhas.
Logo após Gésio Passos, que é repórter da rádio Nacional, chegar para seu expediente, a diretora foi até sua mesa de trabalho e pediu para conversar em sua sala sobre supostas mentiras que os sindicatos estariam divulgando. Flávia afirmou que o diretor colabora com fake news ao falar que o redesenho da empresa pública teria levado cargos para a superintendência de governo.
Gésio disse que tinha todos os dados em seu e-mail e se prontificou a mostrar para a diretora, que o acompanhou de volta até sua mesa. Assim que Gésio começou a mostrar os dados, Flávia Filipini reagiu com gritos, rebatendo as informações, apesar de se tratarem de dados públicos apresentados pela própria empresa. A diretora prosseguiu na difamação.
Nesse momento, Gésio pediu respeito e reafirmou que os dados eram públicos e demonstravam que a área de serviços ganhou 20 novos cargos, enquanto a parte pública da empresa perdeu outros 20 cargos.
As entidades sindicais classificam a atitude como prática antissindical explícita e uma grave ação de assédio de uma diretora contra um empregado da empresa pública. Exigimos retratação da direção da EBC em relação à postura da diretora e avaliamos medidas judiciais cabíveis para o caso. A EBC precisa abrir procedimento de apuração independente sobre o caso.
Nada justifica que uma pessoa, na sua posição de poder, agrida dessa maneira um trabalhador e dirigente sindical em pleno exercício de seu mandato democrático para o qual foi eleito pela categoria. Solicitamos que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), órgão supervisor da EBC no âmbito do governo, também tome as medidas que o caso exige. Ao agir dessa forma, a atual diretora e futura superintendente da EBC demonstra não ter o preparo e a responsabilidade necessários para cargos dessa natureza.
