Foi divulgado o resultado da pesquisa ‘Como trabalham comunicadores no contexto de um ano da pandemia da Covid-19: 1 ano e 500 mil mortes depois’, promovida pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT), vinculado à Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (USP). O estudo considerou respostas obtidas entre 5 e 30 de abril. O relatório contou com o apoio de 25 instituições e entidades profissionais, acadêmicas e científicas da área de Comunicação.
O levantamento recebeu 1.018 retornos. Após verificação, houve a validação de 994 respondentes – espalhados por todos os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, além de dois comunicadores que vivem no exterior (México e Holanda). As perguntas solicitavam um conjunto de informações sobre as rotinas de trabalho, as condições em que são realizadas, as dificuldades, os desafios e os temores dos profissionais.
Conforme relata a professora Roseli Figaro, coordenadora do CPCT, os resultados apontam a realidade de jornalistas, de profissionais que atuam na Comunicação de diversas organizações, instituições públicas e privadas, internamente ou via agências, prestando serviços também a personalidades, autoridades e empresas de mídia.
Para Roseli, a pandemia tem feito com que comunicadores sejam muito requisitados nas atividades que desempenham em diversas esferas de atuação, tanto profissional quanto pessoal. “Neste período de pandemia, o mundo do trabalho foi transportado para um universo paralelo de controvérsias sobre o que e como fazer para se manter a atividade laboral”, afirma.
Segundo pondera, os resultados da pesquisa indicam a necessidade de repensar as formas de organização do trabalho, a urgência de condições dignas e sustentáveis para o exercício profissional e os necessários cuidados com a saúde física e mental dos que atuam com Comunicação.
Exemplo disso são os dilemas envolvendo o home-office e a adoção do sistema misto de trabalho, que aparecem no relatório. O ritmo de trabalho intenso em um contexto social adverso, junto aos desafios próprios destas novas modalidades laborais – como a separação do tempo entre trabalho, tarefas domésticas, descanso e lazer – gera novas problemáticas e intensifica outras que já existiam. “Como realizadores de trabalho essencial para a sociedade, trabalhadoras e trabalhadores da Comunicação têm enfrentado todo tipo de dificuldades para manterem-se em atividade”, complementou a coordenadora.

