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‘Reportagem investigativa requer persistência e paciência’

Afirmação é do jornalista Luiz Cláudio Cunha durante Fórum de Debates ARI

No painel “Jornalismo investigativo: até onde vai o fôlego dos profissionais e das empresas?”, o jornalista Luiz Cláudio Cunha defendeu a idéia de que persistência e paciência explicam a produção de uma boa reportagem. “A persistência é do jornalista, na busca da informação, e a paciência é do dono da empresa jornalística ou do veículo, sustenta uma boa e longa investigação”, afirmou. O evento foi realizado na tarde desta sexta-feira, 6, no Fórum de Debates promovido pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI), na Assembléia Legislativa. Luiz Cláudio ainda criticou a forma como as reportagens são feitas atualmente ao mencionar a série de ligações telefônicas que são reveladas em investigações de corrupção, que, segundo ele, criaram uma nova categoria: o ‘jornalismo fiteiro”. 

Em sua opinião, a exploração sistemática dos conteúdos dessas fitas – no Brasil são feitas cerca de 150 mil escutas ao ano para investigações da Justiça – criou um jornalismo “preguiçoso”, que transcreve os diálogos e não investiga “a fundo” os atores envolvidos nos escândalos. E expôs sua situação diante da revelação das escutas promovidas pelo falecido senador Antônio Carlos Magalhães, que vieram à tona através de seu trabalho. Segundo ele, foi o “maior megagrampo da História”, que foi denunciado através da quebra do off. “Repórter não é padre e jornalismo não é igrejinha. Não podemos ser cúmplices de mentiras”, declarou, ao explicar sua atitude no caso. Além das experiências importantes em sua carreira e no jornalismo nacional, Luiz Cláudio Cunha abordou outros dois assuntos: o jornalismo investigativo como uma prática que não necessita desse título, pois toda a reportagem deve ser considerada o produto de uma investigação, e a perda da qualidade na produção das matérias veiculadas hoje.

O jornalista ainda revelou acontecimentos que envolveram a produção das matérias mais marcantes de sua carreira, que são apontadas como exemplos de jornalismo investigativo. No caso da apuração do seqüestro do casal uruguaio, patrocinado pela ditadura nos anos 70, destacou o apoio da revista Veja e do extinto Coojornal (publicação que marcou a história do jornalismo gaúcho) na realização da reportagem. Segundo ele, na época, a empresa possibilitou que os repórteres envolvidos oferecessem dedicação total à apuração dos fatos, enquanto o Coojornal foi o único veículo que ofereceu a difusão da história em nível local e nacional, através de sua agência de notícias. Ele frisou que essa prática não é mais um comportamento comum no jornalismo atual, que presa mais a rapidez e a superficialidade na exploração dos fatos.

O assunto também foi destacado por participantes do painel, como os jornalistas Pedro Maciel, do Jornal do Comércio, Telmo Flor, do Correio do Povo, e Júlio Ribeiro. Todos concordaram com a mesma visão: as informações apuradas com eficiência e originalidade, desvinculadas das pressões do poder público ou de interesses de mercado, e produzidas com análises aprofundadas dos fatos ainda são o exemplo que deve ser seguido pelos jornalistas, nos diferentes veículos que estão à disposição do público, pois a qualidade da notícia é o mais importante a ser apresentado à sociedade. 

O Fórum de Debates é uma promoção da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). No sábado, às 10h, acontece o painel “A imprensa discute a imprensa”, com a participação de Carlos Alberto di Franco, representante no Brasil da Faculdade de Comunicação de Navarra. Desta vez, o evento será na sede da ARI (Av. Borges de Medeiros, 915, 7º andar, fone (51) 3211-1555), seguido de coquetel de confraternização pelo encerramento da semana que marcou  o bicentenário da imprensa no Brasil.

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