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Repórter relata abuso sexual dentro de ônibus e cobra mais câmeras nos veículos

Giovanna Centeno, do Porto Alegre 24 Horas, denunciou o caso no programa ‘Ronda Popular’, apresentado por Paulo Bogado

Giovanna Centeno fez um breve relato do caso a pedido de Paulo Bogado. - Crédito: Reprodução / YouTube / Porto Alegre 24 Horas TV

Uma repórter do Porto Alegre 24 Horas relatou um abuso sexual sofrido dentro de um ônibus da linha Cefer, na Capital. O caso ganhou os holofotes na edição desta quinta-feira, 9, do programa ‘Ronda Popular’, do Porto Alegre 24 Horas TV, quando o apresentador Paulo Bogado convidou Giovanna Centeno a comentar sobre o episódio vivenciado. Em conversa com o Coletiva.net, ela deu detalhes sobre o momento e destacou a necessidade de mais câmeras nos veículos.

“Se os nossos relatos e a nossa união valem de alguma coisa, é extremamente importante que isso gere mudanças. Sabemos que existem protocolos, mas eles precisam sair do papel e ser colocados em prática. Existe uma necessidade urgente de ter mais câmeras dentro dos ônibus, no fundo, na frente, nas portas. Isso precisa ser obrigatório”, defendeu.

“Aquilo que eu sentia pressionando em mim era a mão dele”

O caso ocorreu no início da tarde na linha Cefer — ônibus que ela utiliza com frequência —, na qual embarcou ainda no terminal, quando havia poucos passageiros. Um homem, que entrou poucas paradas depois, escolheu sentar ao seu lado, apesar de haver diversos assentos vagos. Ela contou que, inicialmente, acreditou se tratar apenas de uma situação desconfortável.

No entanto, passou a notar que o homem mantinha as pernas excessivamente abertas, pressionando-a contra a janela. “Quando eu olhei para ele, até para ele se dar conta de que estava me apertando, ele me encarava de canto de olho. Quando eu vi isso, senti que algo estava errado”, explicou.

Diante da situação, ela decidiu pedir que uma colega de trabalho ficasse em chamada de vídeo com ela, por receio de que pudesse acontecer algo. Ao ajustar o casaco e virar o celular para iniciar a videochamada, ela percebeu que o homem havia colocado uma das mãos sob seu corpo, entre os bancos, aproximando-a conforme o ônibus balançava. 

“Aquilo que eu sentia pressionando em mim era a mão dele, que estava no meu banco, e era como se eu estivesse sentada em cima da mão dele”, relatou. Giovanna pediu para sair do banco imediatamente e, assim que conseguiu se levantar, começou a gritar e acusar o homem de tê-la importunado sexualmente. 

Mais câmeras nos coletivos

Segundo ela, após ser confrontado, o suspeito apenas respondeu: “Calma, moça, eu já vou descer”, sem negar as acusações. Em seguida, desceu do coletivo na parada seguinte.

Ainda de acordo com Giovanna, embora o ônibus já estivesse com dezenas de passageiros naquele momento, ninguém interveio: “Ele estava me alisando ali dentro do ônibus, e ninguém fez nada”. Ao fim da viagem, ela procurou o motorista para informar o ocorrido e perguntar sobre a existência de câmeras de segurança. 

Depois, registrou boletim de ocorrência e solicitou as imagens do sistema de monitoramento da empresa de transporte. Giovanna falou sobre a importância das câmeras localizadas nas catracas, mas reforçou a importância de que mais equipamentos fossem instalados em outros pontos do coletivo.

A repórter afirmou que, além do episódio de importunação sexual, também enfrenta o impacto emocional do caso e das reações nas redes sociais. “Embora eu estivesse em um ônibus com 40 pessoas, me chocou muito o fato de ninguém ajudar. Ninguém levantou”, concluiu.

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