O programa estabelecido para a audiência pública da Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa previa dois debatedores para questionamento dos planos apresentados pelo ministro Franklin Martins. Seriam Afonso Motta, vice-presidente de Relações Governamentais e Mercado da Agert (Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio e Televisão), e Celso Schröder, vice-presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). Mas só este compareceu, e sua primeira manifestação foi exatamente estranhar a ausência do dirigente empresarial. “Vim preparado para responder às diferenças e críticas apresentadas pela iniciativa privada, mas agora boa parte de meus argumentos poderá até parecer dissociado do contexto”, disse ele.
Schröeder atacou a existência de oligopólios no negócio da televisão no Brasil, dizendo que vê nisto “uma hipertrofia permitida pela legislação brasileira, que é muito antiga e defasada”. Por isto, considera que a TV pública será importante como complemento à rede comercial, mas vê problemas também na forma como ela está sendo montada no Brasil. Dizendo apresentar a visão da FNDC (Frente Nacional pela Democratização da Comunicação), o jornalista identifica na gestão o principal foco de problemas: “O Conselho Curador a ser indicado pelo presidente da República é impróprio, pois coloca este Conselho em nível inferior ao conselho administrativo”. Da mesma forma, questionou a representatividade das pessoas a serem indicadas “por serem notáveis. Mas, notabilizadas por quem?”.