Enquanto o mercado editorial nacional aponta crescimento, a partir de estudo realizado pela Associação Nacional dos Editores de Publicações (Anatec), a capital gaúcha registra a ausência de uma publicação que completaria duas décadas em 2009: a revista Porto&Vírgula, que era editada pela Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura.
O Secretário Municipal de Cultura, Sergius Gonzaga, avalia que as revistas impressas estão cada vez mais caras para serem produzidas. “No caso das revistas culturais só sobrevivem aquelas que têm um bom apoio publicitário, o que é bastante difícil de conseguir”, opina. Responsável pela interrupção, em sua gestão,da circulação da revista (que teve breve retorno em 2005), ele argumenta: “no caso da Porto&Vírgula, tentamos mantê-la, arejando-a ideologicamente, mas, no meu entendimento, os resultados não foram satisfatórios, nem do ponto de vista gráfico nem do ponto de vista conteudístico”.
Sobre o mercado de publicações segmentadas, opina que o principal problema das revistas culturais pode estar em sua “excessiva diversidade temática. Ao falar de tudo, acabam não falando de nada”. Ao mesmo tempo em que reconhece que, na Capital, existem excelentes escritores, atores, artistas plásticos, músicos, cineastas e produtores culturais, Sergius é enfático: “é muito difícil encontrar um editor de primeira linha, culto, informado e aberto ao novo e que possa trabalhar em tempo integral”, considera o secretário de Cultura.
Sobre as possibilidades de retorno da Revista Porto&Vírgula, prometido pela Secretaria para este ano, Sergius nada comenta, mas explana sobre o perfil ideal de uma publicação no segmento da cultura: “as revistas culturais precisam impelir os leitores a guardá-las. Para isso, suponho que deveriam oferecer um serviço informativo de bom nível, apresentar novidades culturais efetivamente significativas, e, por fim, estabelecer polêmicas – em especial sobre temas locais – com gente qualificada”, enumera.
Para Sergius, os recursos públicos estão cada vez mais escassos e “sem um alto profissionalismo é complicado produzir uma revista que verdadeiramente cumpra seu papel pedagógico-informativo e questionador-crítico”.

