Na última sexta-feira, 23, o Sindicato dos Radialistas do Rio Grande do Sul teve Ricardo Malheiros reeleito presidente da entidade. Em entrevista exclusiva à reportagem de Coletiva.net, o profissional avaliou o trabalho realizado até então e indicou os projetos para o novo mandato. De acordo com ele, a principal conquista da primeira gestão foi “resgatar a dignidade e a credibilidade” da instituição representativa.
“Nós fizemos isso a partir de um trabalho que eu tenho feito de estar presente, constantemente, em diversos municípios do Rio Grande do Sul”, explicou. Com o projeto, Ricardo avaliou que conseguiu estreitar o contato com os profissionais, o que resultou na reconquista da confiança da categoria. “Hoje em dia eles têm as figuras da diretoria do sindicato dentro das emissoras. O movimento sindical sempre foi mal visto e, agora, nós estamos conseguindo mostrar um outro lado, que não é truculento e, sim, de negociações e conversas, tanto com os trabalhadores, quanto com os patrões”, completou.
Já entre as pautas para a nova gestão, algumas delas já estão sendo colocadas em prática a partir de um encontro, realizado há cerca de três semanas, com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, Paulo Pimenta. Na ocasião, o dirigente pôde discutir sobre a questão das rádios comunitárias. “Elas têm um propósito, mas, hoje, infelizmente estão atuando fora desse objetivo”, informou. O intuito é fazer com que a modalidade se enquadre na legislação dos radialistas, “ou seja, que aqueles profissionais que trabalhem nas rádios sejam radialistas, pois entendo que, para usar o microfone, precisa-se ter conhecimento, responsabilidade e estar habilitado para a função”.
Com a ida à Capital Federal, outra pauta foi levada a debate: a regulamentação das redes sociais, mais especificamente quanto às TVs e rádios web. “Atualmente, qualquer um se sente no direito de ser radialista ou jornalista, fazem transmissões ao vivo e espalham fake news”, disse. Ainda segundo Ricardo, os assuntos foram “muito bem recebidos” pelo governo.
Ainda durante a visita a Brasília, a comitiva do sindicato se reuniu com outras autoridades, como o senador Paulo Paim (PT), o deputado federal Alexandre Lindenmeyer (PT) e representantes do Ministério das Comunicações e do Trabalho. Outro tópico discutido foi a possibilidade de que a carteira de radialista profissional possa ser utilizada como documento de identidade, o que ele diz ser um anseio da categoria.
Reconhecimento
Em relação às metas para o mandato, Ricardo pontuou que o objetivo é fazer com que os profissionais sejam mais reconhecidos e melhor remunerados, “já que caso a categoria não seja bem tratada, ela pode desaparecer”. “Embora a legislação tenha mudado, o que eram 94 funções passaram a ser 25, os patrões ainda precisam dos trabalhadores para cumprir um serviço de excelência e de qualidade”, disse. Para ele, também é necessário que haja união. “Infelizmente, as mídias sociais têm ajudado a quebrar emissoras no Rio Grande do Sul”, complementou.
Número expressivo
Eleito em um pleito que contou com 85% de participação do quadro associativo e não registrou votos brancos e nulos, Ricardo vê o “número expressivo” como resultado da “credibilidade do sindicato”. “Todo colega precisa de uma representatividade e ele espera que a direção que elegeu possa o representar em suas demandas”, contextualizou.
Além disso, para o diretor, o sentimento em ser reeleito é o de “propósito cumprido no primeiro mandato”, em que o objetivo foi fortalecer a entidade. Presidente durante o próximo triênio, 2024/2026, ele comunicou que não pretende concorrer a uma próxima eleição, por entender que o trabalho a que se propôs terá sido concluído e que é necessário ter uma renovação de dirigentes, ideias e propostas.

