“A mídia do futuro e o futuro da mídia no Brasil” foi o tema de um dos painéis de encerramento do Maxi Mídia 2005, ontem, em São Paulo. O debate contou com a participação de Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes,e da Abra (Associação Brasileira dos Radiodifusores), e de Nelson Sirotsky, presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e do Grupo RBS, tendo como ponto alto a discussão sobre a distribuição de conteúdo na TV por assinatura.
Saad criticou a estrutura de monopólio do satélite e do cabo alegando a distorção do mercado. “Precisamos de equilíbrio na produção nacional e internacional, além de criar espaços para que ela possa circular”, afirmou. Nelson Sirotsky discordou de Saad ao dizer que o modelo de TV satelital não é o inibidor do processo de produção de conteúdo, e que os programas de qualidade conseguem chegar à TV aberta e à TV por assinatura. Ele sustentou ainda que as fusões de grupos de TV por assinatura não representam um monopólio de distribuição de conteúdo.
Saad rebateu, dizendo que existem distorções na distribuição de verbas e que hoje não é possível para outros grupos criarem canais e os colocarem no cabo. Ele afirmou ainda que a distorção vai acabar com a TV aberta a longo prazo, já que esta vive exclusivamente de publicidade e não pode contar com os ganhos com assinatura. O presidente da Abra disse que as transmissões via satélite brasileiras estão 90% nas mãos do Murdoch (Rupert Murdoch, dono da News Corp.), e ironizou ao falar que “o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ainda estuda se há monopólio”.
Segundo o site MMOnline, Saad ainda declarou que Sirotsky não teve problemas com seus canais “paralelos” (O Canal Rural e a TV Com) porque a RBS tem acordo com a Rede Globo e foi uma das desenvolvedoras da Net.

