“É preciso buscar informação mais do que opinião para que quem está nos escutando, acompanhando e assistindo tome a decisão.” É assim que Sabrina Thomazi define o papel do jornalista na cobertura das eleições de 2026. Em entrevista ao Coletiva.net durante o debate realizado pela Band RS com candidatos ao Piratini no último domingo, 9, a apresentadora do ‘BandNews Porto Alegre Primeira Edição’ também destacou a responsabilidade de abordar demandas que afetam diretamente a população feminina.
Para Sabrina, a atuação jornalística durante o período eleitoral deve estar distante de relações pessoais e preferências partidárias. O compromisso, segundo ela, está na aproximação entre os candidatos e o cidadão, oferecendo elementos que permitam ao público avaliar as propostas apresentadas.
“Que dados eu consigo trazer desses candidatos em termos de propostas, caminhos possíveis e viabilidade? Esse é, talvez, o privilégio que um jornalista tem: poder conhecer as propostas e estar presencialmente diante dessas pessoas”, afirmou. A comunicadora ressaltou que cabe ao profissional questionar a execução das promessas sempre que as respostas não esclarecerem de que maneira elas poderão sair do papel.
Protagonismo feminino
O debate da Band RS marcou o retorno de Sabrina a uma cobertura eleitoral diante dos microfones. Nas eleições anteriores, ela acompanhou o processo como cidadã e eleitora, experiência que agora influencia a forma como observa as demandas do público.
Ao ocupar o posto de única mulher na bancada, a jornalista entende que assume um compromisso adicional com questões que ainda precisam de respostas do poder público. Entre elas, mencionou o enfrentamento ao feminicídio e a importância da tipificação do crime para revelar, por meio de dados, a violência praticada contra mulheres.
Sabrina também apontou educação, segurança e autonomia econômica como temas que precisam integrar as entrevistas com os candidatos. Na avaliação dela, a oferta de creches e escolas seguras permite que mulheres ingressem ou permaneçam no mercado de trabalho, especialmente em um cenário no qual muitas são chefes de família ou recorrem ao empreendedorismo por necessidade.
A jornalista chamou atenção ainda para o impacto da Inteligência Artificial sobre o processo eleitoral. Para ela, uma educação capaz de formar cidadãos mais críticos ganha relevância diante da circulação de conteúdos produzidos ou manipulados por essas ferramentas.
Além de levar essas pautas à cobertura, Sabrina defendeu que a cultura do cuidado não seja atribuída exclusivamente às mulheres. “Como as nossas gestoras podem ser cuidadosas e como os homens podem aprender com essa cultura? São lugares de provocação que a gente precisa ocupar”, observou.
A comunicadora encerrou lembrando que as mulheres representam a maior parcela do eleitorado. “A gente precisa tomar posse desse lugar. Nós podemos decidir quem governará o Estado”, concluiu.

