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Seminário da ANJ expõe panorama do Jornalismo

Encontro ocorreu nesta segunda-feira na Famecos

O jornalismo como produto e como instrumento de se produzir um bem público. Esse foi o tom da palestra de Silvio Waisbord, argentino, professor da George Washington University e editor-chefe do The International Journal of Press/Politics, que deu início ao 1º Seminário da Associação Nacional dos Jornais (ANJ). Com o tema ‘Democracia e Jornalismo na Era Digital’, o encontro foi realizado no auditório da Famecos.

Conforme matéria de Marco Antônio Souza, do portal Eu sou Famecos, Waisbord identificou três mudanças ocorridas nos últimos cinco anos na área comercial na prática jornalística e cobertura política dos Estados Unidos. Ele também apresentou um outro fenômeno importante: a diminuição de receitas publicitárias, reduzindo os investimentos dos jornais impressos em correspondentes políticos. Na opinião do palestrante, a consequência que pode ser observada é o aumento no número de condenados a pena de morte e da corrupção em nível municipal nos Estados Unidos. “Enquanto sofrem com a redução de receitas, as empresas de comunicação limitam o perfil do profissional especializado em somente um assunto e o utilizam para produzir conteúdo para todas as mídias”, explicou.

O último ponto abordado foi a perda de força da imprensa como fonte de informação. As redes sociais aceleraram o ciclo de produção de notícias. Com isso, o sensacionalismo e os conflitos viraram temas prioritários para atrair o público durante as coberturas políticas. “O bom jornalismo custa caro”, lamentou Waisbord.

Ao final da palestra, o doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília e atual editor do jornal da ANJ, Carlos Müller, falou sobre a relação da imprensa versus democracia. Para exemplificar, citou o fato de que no Brasil a venda de jornais continua em crescimento, contrariando a tendência dos Estados Unidos e que, com o aumento da tiragem de publicações populares, também aumentou o número de leitores. Müller também afirmou que os veículos nacionais vão seguir apostando na qualificação dos profissionais, ou seja, manter investimentos na formação em universidades.

Na sequência, o professor da Famecos Eduardo Pellanda comandou uma mesa redonda para debater o cenário regional do jornalismo, com a presença de Nelson Ferrão, diretor de conteúdos editoriais multimídia do Grupo Sinos; Celso Augusto Schröder, professor da Famecos, presidente da Fenaj e pesquisador de comunicação digital; e Rosane de Oliveira, colunista e editora de Política de Zero Hora, comentarista da TV COM e âncora do programa Atualidade, da Rádio Gaúcha. Os participantes defenderam a necessidade de o jornalista manter a pluralidade de pensamento e não se limitar a analisar uma questão somente por suas crenças pessoais. Para Rosane de Oliveira, esse pensamento é o que garante a credibilidade do profissional.

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