O Seminário “A Imprensa Gaúcha – Esportes”, promovido pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI), encerrou neste sábado, 5, com a entrega de certificados e confraternização no bar da entidade. Antes disso, o último debate da programação contou com a participação de João Garcia, da rádio Guaíba, do jornalista e vice-presidente da ARI, Batista Filho, e do árbitro da FIFA Leonardo Gaciba. O evento contou com a participação de 15 profissionais que atuam na área do esporte no mercado gaúcho. Foram mais de nove horas de debate sobre algumas das principais questões relacionadas ao tema, como: A TV manda no futebol? Regionais ainda valem? Datas do brasileirão x europeus, a Internet vai superar o rádio?, entre outros. Os painéis iniciaram na última quinta-feira, 3. Cerca de 80 pessoas participaram durante os três dias de evento.
Batista Filho iniciou a discussão. Ele destacou a televisão como fonte de receita dos clubes para ter jogadores que estão na expectativa dos torcedores. “A TV é a vitrine dos clubes e jogadores, pois suas transmissões de jogos de futebol têm um público específico muito maior do que aquele vai aos estádios”, ressaltou. João Garcia completou, lembrando que foi a TV que devolveu o público aos estádios, principalmente o de jovens, além de trazer o glamour ao futebol. Garcia também falou que o futebol é business e que a TV é dona de 75% da renda do futebol. O jornalista avaliou ainda que, devido ao poder da TV, a cobertura de rádio está temerária, e por isso, se não pagar pelas entrevistas, não irá mais transmitir. Para exemplificar a força da TV no esporte, Leonardo Gaciba contou que chega a perguntar para os repórteres que estão em campo, cobrindo a partida, se já pode começar o jogo.
Na sexta-feira, 4, participaram do debate José Aldo Pinheiro, da Rádio Gaúcha; Haroldo de Souza e Gilberto Júnior, da Guaíba; Darci Filho, da Rádio Bandeirantes; e Diogo Rímoli, da Federação Gaúcha de Futebol. Quem iniciou o painel foi o jornalista Darci Filho, falando sobre as relações dos jornalistas com a imprensa que, segundo ele, foram mudando ao longo dos tempos. “Hoje a relação é extremamente profissional, antes éramos amigos dos jogadores e técnicos”, lembrou. Haroldo de Souza lembrou que, atualmente, os jogadores de futebol são astros, ao contrário de anos atrás, quando o acesso a eles era bem mais fácil. O jornalista declarou que a televisão é o câncer do futebol e que, devido às suas imposições, acabou afastando o público dos estádios. O jovem Gilberto Júnior também avaliou que os Cubes de futebol viraram reféns das emissoras de televisão. Em relação ao advento da Internet, o jornalista acredita que ela é mais uma parceira do rádio do que uma concorrente, já que se tornou uma ferramenta para divulgar a informação pelo mundo.
O jornalista Diogo Rímoli iniciou sua fala questionando se a culpa é somente da televisão ou também dos clubes que aceitam tudo que lhes é proposto. Segundo ele, o interesse comercial é muito grande e isso impede os clubes de discordar das emissoras. E quanto a Internet, acredita que ainda levará muito tempo para o rádio ser desbancado, já que é o veículo com maior instantaneidade. “A Internet suga as informações do rádio, que é muito mais dinâmico e ativo. O rádio tem a ver com paixão, além de continuar sendo essencial na vida das pessoas”, disse José Aldo Pinheiro sobre a polêmica relação entre o rádio e a Internet.

