O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors), junto a entidades sindicais e movimentos sociais, encaminhou uma solicitação à Comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Porto Alegre para que seja averiguada uma suposta agressão sofrida pelo jornalista Luis Henrique Silveira. Em 9 de outubro, o assessor do vereador Jonas Reis (PT) se envolveu em uma discussão com os parlamentares Idenir Cecchin (MDB) e Comandante Nádia (PP) durante sessão.
Junto de Laura Santos Rocha, presidente do Sindjors, estiveram presentes na solicitação: Ademir Wiederkehr, representante do Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (CUT-RS); e José Nunes, diretor regional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Além deles, foram representadas as entidades Associação dos Juristas pela Democracia (Ajurd), Associação dos Técnicos de Nível Superior do Município de Porto Alegre (Astec), Fórum das Periferias de Porto Alegre, Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União no Rio Grande do Sul (Sintrajufe-RS).
“Não podemos tolerar qualquer tipo de agressão, que acaba fazendo com que a nossa democracia e a nossa profissão sejam atacadas. De maneira alguma este episódio de violência será aceito pelo Sindjors”, salienta Laura. Segundo a presidente do Sindjors, “mais do que acolher essa causa, viemos aqui fazer essa representação e lembrar que essas situações de violência e racismo não têm mais espaço na nossa sociedade”. Conforme informou o Sindicato, por meio de nota, o presidente da Câmara, Hamilton Sossmeier (PTB), recebeu o documento e prometeu levá-lo para apreciação da Mesa Diretora.
Relembre o caso
O episódio envolvendo Comandante Nádia, Idenir Cecchin e Luis Henrique Silveira foi denunciado pelo vereador Jonas Reis em publicação no Instagram. “O jornalista e assessor parlamentar estava fazendo o seu trabalho de assessoria, quando a vereadora Nádia lhe dirigiu a palavra, implicantemente, exigindo que o jornalista parasse de filmar”, relata. Na sequência, de acordo com o post, “inexplicavelmente, de forma absurda, o vereador Cecchin levantou-se da sua cadeira para fazer uma intimidação gravíssima, incluindo agressões e dedo em riste no rosto do profissional”. Ainda segundo a descrição, o petista interveio pelo colega de gabinete.
Contudo, em conversa com a reportagem de Coletiva.net após o ocorrido, Nádia explicou que a discussão iniciou após cobrar Jonas por uma fala do parlamentar e ter um vídeo seu registrado pelo jornalista, momento em que argumentou que ele não poderia registrá-la. Ainda segundo a legisladora, o seu ato foi motivado pelas diretrizes da casa. “É apregoada pela Mesa Diretora que cada vereador tem direito a ter um assessor consigo o tempo todo, que utiliza um crachá amarelo, e outro que usa uma identificação azul, escrito Comunicação, que pode frequentar a tribuna e o microfone de apartes e filmar ou fotografar o seu parlamentar”, contextualizou.
No entanto, ela justificou que os que têm esse tipo de crachá não têm o direito de permanecer no local após a saída do vereador que atendem. Sem retorno de Cecchin na publicação da primeira reportagem, Coletiva.net tentou novamente contatar a Comunicação do emedebista, que informou que aguardará a resposta da Comissão de Ética sobre o ocorrido.

