As ações movidas pela Igreja Universal do Reino de Deus e seus fiéis e pastores contra órgãos da imprensa e jornalistas levaram a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) a pedir à Justiça brasileira que “coloque a liberdade de imprensa e o direito coletivo à informação acima de qualquer interesse particular”. Declarando-se preocupada com o grande volume de ações apresentadas em diferentes comarcas, principalmente no interior de estados brasileiros, a SIP acredita que a iniciativa pode forçar a mídia a se “autocensurar” e “parar de investigar”.
Segundo a agência Efe, o presidente da SIP, Earl Maucker, observou que “além do respeito que devemos ter pelo direito que assiste a cada cidadão de ir à Justiça quando se sente ofendido por uma publicação, neste caso específico, e dado o contexto, suspeitamos fortemente que se trata de uma manobra incentivada com o fim de amedrontar e coibir a liberdade de expressão.”
Já a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) declarou que as ações individuais movidas por fiéis contra veículos de comunicação expressam um verdadeiro “assédio” contra a mídia. “A liberdade de imprensa implica, evidentemente, dar a possibilidade a qualquer pessoa que se considere injuriada ou difamada de reclamar. Mas uma coisa é protestar, outra muito diferente é incorrer numa autêntica perseguição judicial. (…) Essa multiplicação de ações individuais parece obedecer a uma verdadeira estratégia de assédio contra a mídia”, declarou Benoít Hervieu, representante da RSF nas Américas.

