Ao participar de painel da 68ª Assembleia Geral da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), realizado neste domingo, 14, em São Paulo, o presidente do El País, de Madri, Juan Luis Cebrián, expôs números que apontam um crescimento significativo da publicidade digital e queda tanto na publicidade quanto na circulação de jornais impressos em países desenvolvidos. “Para cada dólar investido em publicidade online se perde 10 dólares no impresso”, calcula. Segundo ele, a circulação do El País, que teve queda de 22,5% em exemplares impressos nos últimos cinco anos, está passando por um processo de reestruturação, intensificado devido à dura crise econômica da Espanha, com recente redução do quadro de funcionários.
No mesmo debate, Rosental Calmon Alves, professor de jornalismo na Universidade do Texas, afirmou que “a crise não é o fim do jornal, muito menos do jornalismo”, reforçando a necessidade de identificar oportunidades em diversificar fontes de receita e diminuir a dependência da publicidade, como aumento do valor da assinatura e promoção de eventos.
O tema principal de outro painel foi o pagamento de conteúdo no mundo digital. Silvio Genesini, ex-diretor-presidente do Grupo Estado, se mostrou otimista com relação à monetização de conteúdo em plataformas online, mas enfatizou que é preciso ainda mais qualidade e relevância das notícias para justificar a cobrança. “Não estamos atribuindo à cobrança do conteúdo a salvação da nossa receita, mas é uma tentativa a ser feita”, opinou a diretora-superintendente do Grupo Folha, Judith Brito. Esse caminho também é trilhado pelo Infoglobo, como explicou o diretor geral, Marcello Moraes.
Durante o almoço, Jorge Castañeda, ex-ministro de Relações Exteriores e escritor mexicano, falou de liberdade de imprensa. Para ele, “em matéria de democracia, liberdade de imprensa, desenvolvimento econômico e outros fatores, estamos passando por um bom momento”. Apesar disso, há desafios a serem enfrentados, como a tentativa de governos autoritários de cercear a liberdade de imprensa. Nesse aspecto, ele afirmou que é preciso assegurar a atuação dos organismos de defesa da imprensa e dos direitos humanos, com a ajuda dos governos democráticos.

