Saiu a edição de novembro do Tambor da Aldeia, boletim com os principais casos de cerceamento à liberdade de imprensa no Brasil e no mundo. Vilson Romero, diretor de Direitos Sociais e Imprensa Livre da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e produtor e editor do folhetim mensal, registrou 11 fatos em território nacional e outros sete internacionais. O Rio Grande do Sul aparece no levantamento, com a agressão ao repórter Everton Leite, da web rádio Pachola, por parte de funcionários do Corinthians durante confronto com o Grêmio.
O profissional alega que foi atacado enquanto filmava uma confusão ocorrida no intervalo da partida que aconteceu na Arena do Grêmio, em 12 de novembro. Funcionários da equipe paulista, insatisfeitos com as decisões do árbitro de vídeo (VAR), tentaram invadir a cabine. Uma das gravações realizadas pela rádio Pachola mostra um deles batendo na porta e mandando abrirem-na. Ao perceber que está sendo filmado, o ex-atleta do clube corre em direção ao repórter e grita: “tirem esse cara daqui”. O celular de Everton é atingido no momento seguinte. A confusão foi flagrada por uma equipe da RDC TV. O setorista do Grêmio já registrou boletim de ocorrência.
Fora do Estado, um dos destaques foi a condenação da jornalista Schirlei Alves, autora de reportagens sobre o caso da influenciadora Mariana Ferrer, publicados pelo The Intercept Brasil. A profissional deve cumprir um ano de prisão em regime aberto e pagar R$ 200 mil de reparação ao juiz Rudson Marcos e a mesma quantia ao promotor Thiago Carriço. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e mais de 50 organizações e personalidades assinaram um manifesto em defesa da profissional. A reportagem de Schirlei revelou o constrangimento e humilhação praticados contra Mariana enquanto prestava depoimento como vítima, no julgamento contra o homem acusado de a estuprar, em 2018.
Outro destaque fica por conta do resultado do Índice de Impunidade Global 2023, que coloca o Brasil em 10º lugar na lista de países que menos solucionaram e puniram crimes contra a vida de trabalhadores da imprensa nos últimos 10 anos. O relatório do Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ) contabiliza 11 mortes entre setembro de 2013 e agosto de 2023, todos os casos permanecem impunes. Além disso, ao redor do mundo, dos 261 assassinatos conectados ao trabalho jornalístico no período, 204 não tiveram nenhuma solução.
Internacional
Já são 70 profissionais de imprensa mortos em Gaza desde 7 de outubro. O conflito representa o episódio mais mortal para o grupo desde a Segunda Guerra Mundial. No México, o fotógrafo Ismael Villagómez, do El Heraldo de Juárez, foi assassinado, em Chihuahua. O corpo do repórter foi encontrado dentro de seu carro com um ferimento de bala no olho esquerdo, segundo a Procuradoria-Geral que investiga o crime. Além disso, um radialista no Haiti fugiu do país após ser baleado duas vezes em menos de duas semanas perto de sua casa e dois jornalistas, um na Colômbia e outro no Peru, receberam ameaças de morte via WhatsApp e ligações.

